Scans mostram zonas do cérebro envolvidas no entendimento do outro

Pessoas com autismo não desenvolvem esta “Teoria da Mente”

29 março 2001
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Uma investigadora do Instituto de Psiquiatria de Londres, no Reino Unido, encontrou zonas cerebrais importantes no entendimento dos pensamentos e sentimentos de outra pessoa, por meio da técnica de Imageologia Funcional por Ressonância Magnética.
 

 

Francesca Happe usou esta técnica para analisar quais as zonas do cérebro que se encontravam activas aquando da realização de certas tarefas. Esta investigadora estudou um grupo de adultos saudáveis e outro grupo de adultos com o Síndroma de Asperger, uma forma mais atenuada de autismo. Os autistas têm dificuldade em entender os pensamentos e sentimentos de outras pessoas, o que se designou por “Teoria da Mente” (Theory of Mind).
 

 

As tarefas sugeridas aos indivíduos para realizar envolviam a percepção do que uma certa pessoa ou personagem estava a pensar ou sentir ou quais as suas intenções, analisando por exemplo histórias que rodavam à volta de mal-entendidos.
 

 

Happe descobriu que durante a execução destas tarefas, a actividade cerebral aumentava em três zonas dos cérebros das pessoas saudáveis: no córtex paracingulado (na zona frontal do cérebro), em parte dos pólos temporais e numa região denominada junção tempoparietal.
 

 

Nestas pessoas, o aumento da circulação sanguínea nestas zonas do cérebro estava directamente relacionada com o tempo que a pessoa passava a falar sobre estados mentais.
 

 

Os scans dos cérebros das pessoas diagnosticadas com o Síndroma de Asperger mostraram uma imagem diferente. A actividade cerebral nestas três zonas específicas não aumentou nestes pacientes. Parece que estes indivíduos usam inteligência pura (são activadas zonas dos lobos frontais relacionadas com a inteligência geral) para tentar resolver estes problemas, enquanto que as pessoas saudáveis apresentam uma inteligência social inata, disse a doutora. Estudos anteriores a pacientes com Síndroma de Asperger haviam já revelado que estes apresentam uma menor densidade de matéria cinzenta na região do córtex paracingulato.
 

 

Segundo a investigadora, a leitura da mente de outra pessoa é uma actividade inata e que não envolve esforço da parte das pessoas saudáveis. Para as pessoas com autismo esta tarefa é muito complicada.
 

 

A investigadora acredita que estes avanços podem ajudar na avaliação das características cerebrais dos autistas. Mas, devido à existência de variações significativas em scans cerebrais de pessoas saudáveis, este método de Imageologia não poderá ser usado como diagnóstico de autismo. No entanto servirá para estudar vários fenómenos relacionados, como testar se os animais (nomeadamente os chimpanzés) apresentam ou não uma “Teoria da Mente” ou verificar se há alterações na actividade cerebral das 3 áreas especificadas em pessoas nas quais o autismo regride. Com certeza estes avanços vão auxiliar no melhor entendimento fisiológico da doença.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

Biólogo
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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