Saúde renal é iniciada no útero

Estudo publicado na revista “The Lancet”

04 junho 2013
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Investigadores australianos descobriram que as condições no útero podem afetar o desenvolvimento renal e têm implicações graves na saúde da criança, não apenas imediatamente após o nascimento, mas também décadas mais tarde, revela um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

Neste estudo, os investigadores da Monash University e da University of Queensland, na Austrália, fizeram uma revisão bibliográfica, tendo verificado que há vários dados que associam um baixo peso à nascença e prematuridade, constituindo fatores de risco para a pressão arterial elevada e doenças crónicas nos rins com um baixo número de unidades de filtração dos rins ou nefrónios.
 

John Bertram, um dos principais autores do estudo, já há cerca de duas décadas que se dedica ao estudo destas estruturas. “O rim é um órgão particularmente sensível antes do nascimento, pois a produção de nefrónios para às 36 semanas de gestação. Assim, para um bebé de termo, o processo de formação de nefrónios está terminado e não pode ser reiniciado", explicou o investigador.
 

Os seres humanos nascem com uma média de um milhão de nefrónios e perdem até 6.000 a cada ano. No entanto, John Bertram tem demonstrado que há uma enorme variação no número de nefrónios, de pouco mais de 200 mil para cerca de dois milhões. Além disso, o número de nefrónios está positivamente associado com o peso à nascença. Um baixo peso traduz-se num baixo número de nefrónios, tendo os bebés maiores um maior número destas unidades de filtração.
 

Uma vez que o baixo peso à nascença afeta 15% dos bebés em todo o mundo, o estudo tem implicações para o processo de triagem clínica e saúde materna. "Em termos de saúde materna durante a gravidez, uma dieta rica em gordura, o consumo de álcool, a prescrição de vários antibióticos e hormonas associadas ao stress têm sido associados a um impacto negativo no desenvolvimento renal do feto ", acrescentou John Bertram.
 

"Adicionalmente, dadas as fortes associações entre o peso à nascença, o número de nefrónios e as doenças que ocorrem mais tarde na vida, e o facto de o peso do bebé ser regularmente registrado em muitos países, sugerimos que o peso à nascença seja um parâmetro utilizado pelos médicos para determinar quantas vezes um paciente deverá ser submetido a um teste da função renal ou teste de pressão arterial”, disse o investigador.
 

De acordo com o investigador, apesar de um recém-nascido poder parecer perfeito, se o seu peso é baixo, pode haver consequências 40 anos mais tarde. Podemos ser pró-ativos sobre a deteção destas doenças em estágios iniciais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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