Saúde mental: plano nacional ineficaz

Estudo da Universidade de Coimbra

05 fevereiro 2014
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“A execução prática do Plano Nacional de Saúde Mental” (publicado em 2007) tem sido “francamente insuficiente, sobretudo no que diz respeito à reabilitação psicossocial de pessoas com doença mental severa”, defende um estudo da Universidade de Coimbra (UC).
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC e ao qual agência Lusa teve acesso, analisou, pela primeira vez, os serviços de reabilitação psiquiátrica em Portugal e as barreiras ao seu desenvolvimento.
 

A investigação teve como objetivo a avaliação dos programas de reabilitação existentes para a doença mental severa, nomeadamente para as perturbações do espetro da esquizofrenia.
 

O comunicado da UC refere que este trabalho contou com a colaboração de 70 instituições de todo o país a trabalhar na área, e doentes integrados em programas de reabilitação em dois hospitais psiquiátricos e duas IPSS (instituições privadas de solidariedade social), bem como um grupo de controlo”, sem “qualquer acompanhamento psicossocial”.
 

A maioria das instituições que participaram no estudo referiram prestar atividades de reabilitação, mas “os programas recomendados pelas diretrizes internacionais (por terem comprovada eficácia) encontram-se insuficientemente implementados em Portugal”, refere o comunicado.
 

A investigadora Carina Teixeira refere ainda que “em termos de qualidade de vida e de funcionamento ocupacional e social, não foram encontradas diferenças significativas entre pessoas com doença mental incluídas em programas de reabilitação e pessoas com doença mental sem qualquer acompanhamento psicossocial”.
 

Isto ocorre pois “os serviços de reabilitação portugueses caracterizam-se, salvo poucas exceções, por contextos educacionais, ocupacionais e habitacionais segregados. Estes são modelos “obsoletos, estando longe do que é atualmente praticado” em países como EUA e Reino Unido e “a literatura científica mostra claramente que não favorecem a integração comunitária e impedem a recuperação dos utentes”, refere o estudo.
 

Carina Teixeira refere também o estigma associado à esquizofrenia. A luta contra este estigma “deve começar nos próprios profissionais, que subestimam as capacidades das pessoas com doença mental, acabando por lhes transmitir mensagens de desesperança que afetam a sua luta pela recuperação e pelo alcance dos objetivos pessoais”. O sistema “tem de perceber que a esquizofrenia não é uma fatalidade” e que “a reabilitação psicossocial é possível”, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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