Saúde materna: doenças não transmissíveis ameaçam progressos alcançados

Estudo da Organização Mundial de Saúde

03 maio 2016
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As doenças não transmissíveis, como a diabetes ou a hipertensão, são uma ameaça crescente para as grávidas e põem em causa os progressos alcançados na saúde materna, alerta um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 

O estudo levado a cabo por investigadores do México e dos EUA constatou que, apesar de o número de mulheres que morrem nos países de baixo e médio rendimento por causas relacionadas com a gravidez e o parto seja atualmente mais baixo do que há dez anos, mais mulheres morrem de causas indiretas.
 

"Estamos a vencer a batalha contra as causas tradicionais de morte materna, como as hemorragias pós-parto, mas não contra as causas indiretas da mortalidade materna", referiu o coautor do estudo, Rafael Lozano, do Instituto Nacional de Saúde Pública do México, num comunicado da OMS ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

Os resultados do estudo, publicado na edição especial do Boletim da OMS, juntam-se a evidências crescentes sobre as causas de morte durante a gravidez no México e são consistentes com as mais recentes análises globais de que mais de um quarto das mortes maternas em todo o mundo se deve a causas indiretas.
 

A mortalidade materna, que corresponde às mortes de mulheres durante a gravidez, o parto ou nos 42 dias após dar à luz, é uma medida importante quando se calcula o nível de desenvolvimento humano de um país.
 

As causas diretas da mortalidade materna resultam de complicações obstétricas durante a gravidez e o parto, enquanto as causas indiretas resultam muitas vezes de doenças pré-existentes que se agravam com a gravidez e incluem doenças não transmissíveis como a diabetes ou problemas cardiovasculares, assim como doenças infeciosas ou parasitárias como o VIH, a tuberculose, a gripe ou a malária.
 

Os autores do estudo identificaram e reclassificaram 1.214 mortes como mortes maternas, revelando que a mortalidade materna no México tinha sido subestimada em cerca de 13%.
 

Como resultado, os números da mortalidade materna no México, no período do estudo, foram corrigidas de 7.829 para 9.043.
 

Ao aplicar este método ao período em estudo, os autores concluíram que a mortalidade materna por causas obstétricas diretas diminuiu de 46,4 para 32,1 por 100.000 nados vivos, enquanto a mortalidade materna por causas indiretas aumentou de 12,2 mortes por 100.000 nados vivos, em 2006, para 13,3 mortes por 100.000 nados vivos, em 2013.
 

"As mortes maternas por causas diretas afetam mulheres nos municípios mais pobres, mas as mulheres que morreram de causas indiretas tinham menos gravidezes, tinham níveis mais elevados de educação e tendiam a viver em municípios mais ricos", disse Rafael Lozano.
 

O estudo alerta para a necessidade de os serviços de saúde dirigidos às grávidas, recém-nascidos e crianças serem repensados para reagir a novos desafios, nomeadamente a emergente ameaça das doenças não transmissíveis para a saúde materna.
 

"Para reduzir a mortalidade materna indireta, os obstetras e outros profissionais de saúde que seguem mulheres durante a gravidez e o pós-parto têm de se treinar a olhar para a saúde da mulher holísticamente e não só para a sua gravidez", concluiu a diretora-geral adjunta da OMS para a Saúde da Família, das Mulheres e das Crianças, Flavia Bustreo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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