Saúde cardiovascular: os benefícios e malefícios das células imunitárias

Estudo publicado na revista “Immunity”

21 janeiro 2014
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Investigadores americanos constataram que os macrófagos, um tipo de células imunes, podem, dependendo da sua origem, ter um papel protetor ou contribuir para os danos que ocorrem após um enfarte agudo do miocárdio, defende um estudo publicado na revista “Immunity”.
 

Durante muito tempo acreditou-se que apenas havia um único tipo de macrófagos. Contudo, este novo estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, demonstrou que de facto há diferentes tipos de macrófagos, os quais têm origem em locais distintos do organismo.  
 

Os macrófagos estão envolvidos em várias funções no organismo, desde a digestão de células mortas até à ativação de outras células imunitárias. Há muito que se assumia que todos os macrófagos tinham origem na medula óssea e que circulavam na corrente sanguínea populando os diferentes tecidos e respondendo às ameaças sempre que necessário. “Agora sabemos que é bem mais complexo”, revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo”, Slava Epelman.
 

Os investigadores constataram que o coração é um dos poucos órgãos que têm macrófagos que são formados no estado embrionário e que se mantêm até à idade adulta. O coração, cérebro e fígado são os únicos órgãos que têm um grande número de macrófagos que tiveram origem no saco vitelino, uma das primeiras etapas de desenvolvimento, e que estes tendem a ser protetores.   
 

Através de estudos realizados em ratinhos, os investigadores demonstraram que o coração saudável mantém esta população de macrófagos embrionários, bem como um grupo mais pequeno de macrófagos adultos derivados do sangue. Contudo, quando o coração é submetido a algum tipo de stress como a pressão arterial elevada, não só são recrutados para o coração mais macrófagos adultos da corrente sanguínea, como estes substituem os macrófagos embrionários.  
 

Agora que conhecem as diferenças entre estes dois tipos de macrófagos, os investigadores querem tentar bloquear os macrófagos adultos, os quais estão mais bem equipados para responder à infeção e estando assim mais especializados em despoletar uma resposta inflamatória. Por outro lado, querem encorajar a presença dos macrófagos embrionários no coração uma vez que estes parecem ter funções benéficas que podem ajudar no processo de regeneração deste órgão.
 

Os autores do estudo referem que a complexa interação entres estes dois subtipos de células imunitárias pode ajudar a explicar por que motivo alguns indivíduos se conseguem curar após um enfarte agudo do miocárdio enquanto outros não.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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