Sarampo afeta sistema imunitário em crianças por muito tempo

Estudo publicado na revista “Science”

13 maio 2015
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Um novo estudo indica que o vírus do sarampo pode enfraquecer o sistema imunitário das crianças até três anos após o surto, em vez de um a dois meses.
 
Jessica Metcalf, docente assistente de ecologia e de biologia evolutiva na Universidade de Princeton, EUA, e coautora deste estudo avança que “já sabíamos que o sarampo ataca a memória imunitária e que era imunossupressor por um pequeno período de tempo. Mas este estudo sugere que a imunossupressão dura muito mais tempo do que se supunha anteriormente”.
 
Para o estudo, Michael Mina, da Universidade Emory em Atlanta, EUA, autor principal do estudo, e equipa propuseram-se determinar quanto tempo demorava o sistema imunitário para se recompor completamente e evitar as infeções após ter sido exposto ao vírus do sarampo.
 
A equipa conduziu, para o efeito, uma análise de dados populacionais da Dinamarca, EUA, Inglaterra e País de Gales, com incidência nas taxas de mortalidade e de sarampo em crianças de 1 a 9 anos de idade em países europeus e de 1 a 14 anos de idade nos EUA, nos períodos de pré e pós-vacinação.
 
Após ter efetuado uma estimativa da duração da imunidade reduzida após uma infeção por sarampo, a equipa identificou uma forte correlação entre a incidência do sarampo e a morte por outras doenças num intervalo de 28 meses.
 
“Por outras palavras, a redução da incidência de sarampo parece causar uma descida nas mortes por outras doenças infeciosas devidas aos efeitos indiretos da infeção por sarampo sobre o sistema imunitário humano. Ao nível da população, os dados sugerem que quando o sarampo era galopante, poderia ter conduzido a uma redução na imunidade de grupo contra outras doenças infeciosas”, observa Bryan Grenfell, do departamento de ecologia e de biologia evolutiva na Universidade de Princeton e do Centro Internacional Fogarty nos Institutos Nacionais de Saúde, EUA, e coautor deste estudo.
 
A equipa considera que o que descobriu indica que a vacina do sarampo poderá oferecer proteção contra a perda de células da memória imune relacionada com o sarampo ao longo do tempo e, portanto, oferecer proteção contra outras doenças.
 
Michael Mina ficou interessado neste assunto após ter-se deparado com outro estudo que demonstrava uma forte ligação entre o vírus do sarampo e uma redução da memória imune nas células. Esse estudo evidenciava que o vírus do sarampo ataca e destrói as células T, que são células do sistema imunitário que oferecem proteção contra doenças lembrando-se de organismos estranhos com os quais se tenham deparado. Apesar de as células T recuperarem após um mês, apenas atacam o vírus do sarampo e quase ignoram outros fatores patogénicos com os quais se tenham confrontado anteriormente. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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