Sangue: negócio é aceitável se reverter para o SNS

Declarações do bastonário da Ordem dos Médicos

25 junho 2015
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Desperdiçar plasma resultante de um “ato generoso” dos portugueses é para o bastonário da Ordem dos Médicos inaceitável, mas defende que se retire benefício financeiro do sangue doado para reverter a favor do Serviço Nacional de Saúde e dos doentes.

 

José Manuel Silva falava à agência Lusa a propósito de um debate que a Ordem dos Médicos (OM) que ocorreu na terça-feira passada com o tema “Sangue e plasma: ciência vs. preconceito; doação vs. comércio; aproveitamento vs. desperdício”.

 

“A Ordem dos Médicos promoveu um debate para discutir estas questões que tem a ver com a necessidade de um mais conveniente e abrangente uso do plasma português. Não é aceitável desperdiçar, quando se tem um quantidade que permite ao país ser autossuficiente”, disse.

 

De acordo com José Manuel Silva, “não se pode aceitar o desperdício de um ato generoso dos portugueses”, pelo que o debate pretende também chamar a atenção para a “obrigação ética e económica” do país aproveitar todo o plasma doado.

 

Apesar de o sangue não ter preço, pode e deve ter um valor de mercado, para que possa ser negociado, tendo em vista o financiamento, por exemplo, dos tratamentos de que o sangue é alvo, para poder ser transfundido com segurança.

 

“O tratamento do sangue é oneroso, implica custos que é necessário que alguém financie. Sendo a doação um ato benévolo terá que haver um componente financeiro no circuito, que deve ser controlado e reverter em benefício de dadores e recetores”, afirmou.

 

Questionado sobre a possibilidade de, por exemplo, vender a outros países plasma remanescente, o bastonário considera que esta seria “uma forma de fazer reverter para os beneficiários do SNS [Serviço Nacional de Saúde] o ato benévolo de doação que gostaria que fosse mais amplo e tivesse uma resposta mais alargada para que o SNS nunca estivesse no limite das reservas de sangue e derivados”.

 

“Se essa doação benévola pudesse reverter para o SNS e para a saúde dos portugueses, não vejo qualquer problema de ética. Os doadores sentir-se-iam mais confortáveis de saber que, além de benefício direto, haveria um benefício indireto”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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