Saliva de morcego «combate» enfartes

Substância pode ajudar no tratamento da doença

21 janeiro 2003
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Pode parecer um filme de terror, mas trata-se de uma investigação científica séria. No futuro, vítimas de enfartes poderão obter alguma ajuda através da mordida de morcegos, segundo uma equipa de investigadores australianos.
 

 

Os cientistas acreditam que uma poderosa substância anticoagulante presente na saliva do morcego-vampiro Desmodus rotundus pode ser benéfica no tratamento de ataques cardíacos.
 

 

Isto porque, segundo adiantam, a substância destrói a fibrina, que é produzida durante a coagulação sanguínea. Quando o morcego morde a vítima, segrega uma poderosa substância que dissolve os coágulos, de forma a que o sangue da pessoa continue a fluir, para que o animal se alimente.
 

 

Um estudo feito com ratinhos e conduzido pela Universidade Monash, sugere que a substância - uma enzima chamada de desmoteplase - poderia prolongar o tratamento sem riscos adicionais ao cérebro.
 

 

Normalmente utiliza-se uma droga chamada de activador tecidual recombinante do plasminogénio (rt-PA) para tratar os pacientes que tenham sofrido enfartes causados por coágulos de sangue. No entanto, o rt-PA só é administrado no máximo três horas depois do aparecimento da doença, dado poder causar destruição de tecidos cerebrais.
 

 

O estudo, conduzido por Robert L. Medcalf e publicado na revista «Stroke» sugere que a substância retirada da saliva de morcegos contém um poderoso exterminador de coágulos e pode ser usada até três vezes mais do que o actual tratamento e sem o risco de efeitos secundários para o cérebro do paciente.
 

 

Esta enzima natural dos morcegos está geneticamente relacionada com os actuais medicamentos para enfartes que rompem coágulos, mas é mais potente.
 

 

Este destruidor de coágulos chama-se desmoteplase, ou DSPA. A substância «encolhe» e destrói a plataforma estrutural dos coágulos sanguíneos, adiantou Medcalf à CNN.
 

 

No entanto, o investigador faz questão de sublinhar que este estudo é limitado a ratos saudáveis e concentrado apenas na toxicidade. «Ainda é cedo para dizer se essa abordagem será ou não segura e eficaz na melhora das sequelas dos enfartes».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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