Sal associado à esclerose múltipla

Estudo publicado no “Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry”

02 setembro 2014
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O consumo de sal pode estar associado ao agravamento dos sintomas da esclerose múltipla, sugere um estudo publicado no “Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry”.
 
Estudos anteriores já tinham indicado que havia uma possível associação entre o sal e a asma, a mortalidade na diabetes tipo1, o risco de envelhecimento celular acelerado em adolescentes, a doença cardíaca e a doença cardiovascular.
 
O sal parece também estar associado ao desenvolvimento de doenças autoimunes como psoríase, artrite reumatoide e espondilite anquilosante. A esclerose múltipla é também uma doença imune na qual a mielina danificada no sistema nervoso central interfere com a transmissão dos sinais nervosos entre o cérebro, a espinal medula e as outras partes do corpo. 
 
Uma vez que o sal pode alterar a resposta autoimune, os investigadores do Instituto de Investigação Neurológica, na Argentina, decidiram averiguar se o consumo de sal poderia estar associado à esclerose múltipla, tendo para tal contado com a participação de 70 pacientes com esclerose múltipla recorrente-remitente. Foram recolhidos dados clínicos, radiológicos e de consumo de sal ao longo de dois anos. Os participantes foram submetidos a análises ao sangue, tendo também sido aferida a quantidade de sal na urina, a creatinina (um marcador da atividade inflamatória) e vitamina D, cujos níveis baixos estão associados à doença. 
 
O mesmo tipo de análises foi realizado num segundo grupo de 52 pacientes. Os dois grupos de participantes tinham, em média, um consumo de sal pouco acima das 4g diárias. No entanto, este consumo variou entre menos 2g por dia (baixo), 2 a 4,8g (moderado) e mais de 4,8g.
 
Após terem tido em conta fatores como a idade, sexo, tabagismo, duração da doença, níveis de vitamina D e índice de massa corporal, os investigadores verificaram que havia uma associação entre o sal ingerido e o agravamento dos sintomas da esclerose múltipla
 
O estudo apurou que, comparativamente com os pacientes que tinham o consumo de sal mais baixo, aqueles que consumiam quantidade moderadas a elevadas de sal tinham cerca de três episódios adicionais de progressão dos sintomas e apresentavam também um risco 4 vezes maior de terem sintomas exacerbados. 
 
Posteriormente, foram analisados os dados obtidos através da realização de radiografias e tomografias, de forma a analisar sinais de progressão da doença. Verificou-se que os pacientes com um consumo de sal elevado apresentavam um risco 3,5 maior de apresentarem sinais radiológicos associados à progressão da doença.
 
Com base nestes resultados, os investigadores defendem que é necessário realizar mais estudos, de forma a averiguar se a redução do consumo de sal pode aliviar os sintomas da esclerose múltipla ou abrandar a progressão da doença. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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