Sabe como reage o cérebro masculino ao rosto feminino? E ao masculino?

Percepção humana da beleza pode ser inata

12 novembro 2001
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Um belo rosto feminino tem, sobre o cérebro de um homem jovem, o mesmo efeito provocado por chocolate, dinheiro ou cocaína. Isto é o que conclui um trabalho realizado por um grupo de investigadores da Universidade de Harvard.
 

 

O estudo realizado pela equipa coordenada por Itzhak Aharon baseou-se na análise de imagens, obtidas por ressonância magnética, do cérebro de homens jovens heterossexuais durante a visualização de fotografias de vários rostos, masculinos e femininos. Os investigadores pediram aos voluntários que classificassem os rostos à medida que os viam.
 

 

A primeira revelação do estudo, publicado na última edição da revista Neuron, desmistifica um tabu masculino: os homens heterossexuais também são capazes de considerar o rosto de outro homem como bonito. No entanto, e quando se fala de rostos, apenas um belo rosto feminino é capaz de activar zonas específicas de um cérebro masculino.
 

 

Quando os voluntários viram as fotos de diversos rostos, apenas os femininos classificados como bonitos estimularam a actividade das zonas do cérebro relacionadas com as sensações de recompensa associadas aos alimentos, ao dinheiro ou às drogas.
 

 

Na investigação, os cientistas pediram a um grupo de homens heterossexuais para classificarem os rostos, masculinos e femininos, que lhes eram mostrados de acordo com a atracção que sentiam pelas suas feições. O efeito único de um belo rosto feminino ocorreu apesar do facto dos voluntários também terem classificado alguns rostos masculinos como bonitos.
 

 

Hasn Breiter, do Hospital Geral de Massachusetts, Boston (EUA), um dos colaboradores neste estudo afirmou num comunicado de imprensa que «parece existir uma diferença entre ‘aquilo que o cérebro gosta’ e ‘aquilo que o cérebro quer’», sendo que quando o que ‘o cérebro quer’ é obtido, passa a ser considerado como uma recompensa.
 

 

«Que tal este rosto? ‘Bonito’ ou ‘normal’?»
 

 

Na primeira etapa deste trabalho, os investigadores, antes de pedirem aos voluntários para classificarem os rostos (e sem o seu conhecimento) organizaram-nos em duas categorias gerais como ‘bonitos’ e ‘normais’. As classificações dos voluntários foram concordantes com as categorias organizadas pelos cientistas. Além disso, as classificações atribuídas aos rostos masculinos atraentes foram similares às atribuídas aos rostos femininos atraentes.
 

 

Na etapa seguinte do estudo, os investigadores controlaram o tempo dedicado à visualização de cada fotografia: para que a fotografia pudesse ser visualizada, o homem tinha de manter um botão premido. Sempre que o botão fosse libertado, a fotografia mudava. Os investigadores verificaram que os voluntários faziam um esforço para ver os rostos femininos bonitos por mais tempo e, relativamente aos outros rostos, eles tentavam apenas fazer com que as suas fotografias passassem mais rapidamente.
 

 

Finalmente, na terceira etapa do estudo, os investigadores fizeram exames de ressonância magnética durante a visualização das fotografias e foi nesta fase do trabalho que os cientistas constataram que apenas os rostos femininos atraentes activaram o «circuito de recompensa» do cérebro.
 

 

Cérebro masculino heterossexual tem aversão pelos rostos masculinos
 

 

A equipa coordenada por Aharon relata, no artigo publicado no Neuron, que «a investigação revelou um facto particularmente interessante: os rostos dos homens classificados como atraentes desencadearam uma resposta que poderá ser considerada como uma resposta de aversão, embora eles tenham sido reconhecidos pelos próprios voluntários como atraentes.»
 

 

Outra colaboradora deste estudo, Nancy Etcoff, destaca que esta pesquisa confirma outros trabalhos anteriores que sugerem que «a percepção humana da beleza pode ser inata.»
 

 

Aharon e seus colaboradores realçam que factores como a experiência, a aprendizagem e as características pessoais de cada indivíduo têm um impacto na atracção entre pessoas em particular mas estes resultados mostram que esta resposta básica de compensação está profundamente associada à natureza humana.
 

 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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