Romã pode ajudar a combater o envelhecimento?

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

14 julho 2016
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Investigadores suíços descobriram uma molécula nas romãs, transformada pelos microrganismos no intestino, que permite que as células musculares se protejam contra uma das maiores causas do envelhecimento, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

À medida que envelhecemos, as células têm cada vez mais dificuldade em reciclar as suas centrais energéticas, as mitocôndrias. Estes compartimentos internos deixam de ser capazes de realizar a sua função vital e acumulam-se na célula. Esta degradação afeta a saúde de muitos tecidos, incluindo músculos, que enfraquecem gradualmente ao longo dos anos. A acumulação de mitocôndrias disfuncionais parece também desempenhar um papel importante noutras doenças do envelhecimento, como é o caso da doença de Parkinson.
 

Neste estudo, os investigadores da Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça, identificaram uma molécula que, por si só, restabelece a capacidade da célula em reciclar os componentes defeituosos da mitocôndria, a urotilina A. Patrick Aebischer, um dos autores do estudo, explica que esta é a única molécula conhecida capaz de relançar o processo de limpeza mitocondrial, também conhecido por mitofagia.
 

Os investigadores começaram por fazer testes num nemátodo, Caenorhabditis elegans, uma vez que ao fim de oito a dez dias este é considerado idoso. Verificou-se que a longevidade deste organismo, quando exposto à urotilina, aumentou mais de 45%, comparativamente com o grupo de controlo.
 

Experiências realizadas em ratinhos demonstraram que o processo de reciclagem ocorria de uma forma robusta nos animais expostos à urotilina. Os ratinhos idosos demonstraram uma resistência 42% maior em testes físicos, comparativamente com os ratinhos do grupo de controlo.
 

Os investigadores referem que por si só as romãs não contêm uma molécula milagrosa, mas sim o seu precursor. A molécula é convertida em urotilina A pelos microrganismos que habitam o intestino. Desta forma, a quantidade de urotilina A produzida pode variar bastante, dependendo da espécie animal e microrganismos presentes na flora intestinal. Alguns indivíduos podem não conseguir produzir a molécula, não tendo, como tal, qualquer benefício resultante do consumo de sumo de romã.
 

Contudo, os investigadores estão já a trabalhar numa solução para os indivíduos que não apresentam os microrganismos ideais, tendo para tal criado uma empresa que desenvolveu um método para a administração de doses altamente calibradas de urotilina A. Atualmente já estão a ser realizados estudos em humanos em hospitais europeus para testar a viabilidade da molécula.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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