Ritmo da respiração afeta memória e medo

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

13 dezembro 2016
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Investigadores americanos descobriram que o ritmo da respiração cria atividade elétrica no cérebro aumentando as emoções e a memória, dá conta um estudo no “Journal of Neuroscience”.
 
Os investigadores da Universidade Northwestern, nos EUA, também constataram que estes efeitos eram dependentes dos movimentos de inspiração. De facto verificou-se que havia uma grande diferença na atividade elétrica na amígdala e no hipocampo durante a inspiração, comparativamente com a expiração.
 
Os investigadores, liderados por Christina Zelano, começaram por observar que estas diferenças na atividade de cérebro ao analisarem sete pacientes com epilepsia que tinham já programada uma cirurgia ao cérebro. Uma semana antes da cirurgia, foram implantadas elétrodos no cérebro dos pacientes, com o objetivo de identificar a origem das convulsões. Através deste procedimento foi possível os cientistas adquirirem dados eletrofisiológicos dos cérebros dos pacientes. 
 
Os sinais elétricos gravados demonstraram que a atividade cerebral flutuava com a respiração, especificamente nas regiões cerebrais envolvidas no processamento do odor, das emoções e memória, ou seja, no córtex olfativo, na amígdala e no hipocampo. Como resultado, os cientistas decidiram averiguar se havia uma ligação entre a respiração e as funções cognitivas associadas a essas regiões cerebrais, especificamente na resposta ao medo e na memória.
 
Uma vez que a amígdala está fortemente associada ao processamento das emoções, particularmente nas emoções associadas ao medo, os investigadores pediram a cerca de 60 indivíduos para tomar decisões rápidas sobre as expressões das emoções, enquanto registavam as suas respirações. Após apresentarem imagens de rostos com expressões de medo ou surpresa, os participantes tinham de indicar, o mais rapidamente possível, qual a emoção que cada face estava a expressar.
 
O estudo apurou que, quando os participantes inspiravam conseguiam reconhecer mais rapidamente os rostos amedrontados do que quando expiravam. O mesmo não aconteceu para os rostos que demonstravam surpresa. Estes efeitos diminuíram quando os indivíduos realizaram a mesma tarefa enquanto respiravam através da boca. Desta forma, o efeito foi específico para os estímulos de medo apenas durante a respiração nasal.
 
Numa outra experiência, os participantes visualizaram imagens de diferentes objetos num ecrã de computador. Mais tarde foi pedido aos participantes para se recordarem das imagens. Verificou-se que os participantes recordavam mais facilmente as imagens quando inspiravam.
 
Os autores do estudo acreditam que estas descobertas sugerem que a respiração também desempenha um papel na atividade cerebral e no comportamento.
 
Christina Zelano refere ainda que estes resultados sugerem que a respiração rápida pode conferir uma vantagem quando alguém está numa situação perigosa. 
 
Se um indivíduo estiver em pânico, o ritmo da respiração torna-se mais acelerado gastando proporcionalmente mais tempo a inspirar. Assim, a resposta inata do organismo ao medo através da respiração acelerada poder ter um impacto positivo na função cerebral e resultar em tempos de resposta mais rápidos perante estímulos perigosos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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