Ritmo circadiano: descoberta proteína-chave

Estudo publicado na revista “Cell”

01 junho 2016
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As interrupções no ciclo de 24 horas de atividade fisiológica são o motivo pelo qual o jet lag ou uma noite mal dormida podem alterar os padrões de sono e apetite durante dias e mesmo contribuir para o desenvolvimento da doença cardíaca, distúrbios de sono e cancros. Investigadores americanos descobriram uma proteína, a REV-ERBα, que controla a intensidade do ritmo circadiano nos mamíferos, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 

“Tanto a nona sinfonia de Beethoven como a sinfonia dos genes no nosso organismo, necessitam de volume para ser ouvidas. O nosso estudo explica como a proteína REV-ERBα atua como um condutor molecular que permite que o volume ou atividade de milhares de genes possam ser aumentados ou diminuídos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Ronald Evans.
 

O investigador refere que a interrupção apenas da amplitude ou intensidade do ritmo circadiano foi suficiente para alterar os níveis hormonais, incluindo aquele que nos acorda pela manhã. Os resultados sugerem que os indivíduos com flutuações de menor amplitude dos genes podem sentir-se cansados e ter menos energia ao longo do dia.
 

Estudos anteriores identificaram genes que variavam ao longo do dia e demonstraram como as alterações destes genes circadianos podem alterar o tempo do ciclo e tornar o ritmo circadiano mais longo ou mais curto que as 24 horas. Em 2012, a mesma equipa de investigadores demonstrou que a REV-ERBα se ligava a muitos destes genes circadianos e atuavam como travão, afetando o momento em que estes eram expressos ao longo do dia ou noite.
 

Neste estudo, os investigadores decidiram verificar se a REV-ERBα desempenhava um papel mais central no ritmo circadiano, tendo para tal analisado os níveis e as características moleculares da proteína nos fígados dos ratinhos ao longo do dia.
 

O estudo apurou que após os níveis da proteína atingirem um pico ao longo do dia, as proteínas CDK1 e FBXW7 interagiam com a REV-ERBα para ajudar a reduzir os níveis para um valor baixo, a meio da noite. Quando os investigadores tiveram por alvo estas proteínas para bloquear a degradação da REV-ERBα nos fígados dos ratinhos, as flutuações diárias normais na expressão genética foram suprimidas, mas o tempo dos ciclos não foi afetado. Curiosamente, a alteração apenas da amplitude das oscilações da expressão genética afeta profundamente o metabolismo, alterando os níveis de gordura e açucares no sangue.
 

“Este estudo fornece evidência molecular do papel-chave do relógio circadiano na regulação do metabolismo da glucose e dos lípidos, sugerindo novas e potenciais vias para a intervenção terapêutica”, concluiu um dos autores do estudo, Steve Kay.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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