Risco de propagação do Ébola em Portugal é “infinitesimal”

Garante infeciologista Jaime Nina

18 agosto 2014
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Um infeciologista assegurou que o risco de propagação do vírus do Ébola em Portugal é ínfimo, mesmo que surja alguma pessoa infetada. Isto deve-se não só aos meios e às práticas existentes no país, mas também às características de contágio desta doença, apurou a agência Lusa.

 

“A probabilidade de chegar uma pessoa infetada não é tão pequena, mas a de propagação da doença é infinitesimal”, garantiu Jaime Nina à agência Lusa.

 

O infeciologista e especialista em Medicina Tropical justifica esta perspetiva devido aos meios de rastreio e de isolamento eficazes, à preparação dos hospitais para receber os doentes e às práticas de higiene, prevenção e segurança já existentes há muito tempo entre os profissionais de saúde em Portugal. “Em Portugal, se chegar alguém com febre ao hospital, não há enfermeira que lhe faça análises sem luvas. Em África isso não acontece”, exemplificou.

 

O Ébola é uma doença que não se transmite durante a fase de incubação do vírus, mas sim apenas quando a doença já se manifesta. O vírus apenas se transmite por contacto direto com fluidos biológicos, como o sangue ou o sémen, e não por via aérea como acontece com a gripe. Estas características diminuem o risco de contágio, pois permitem que todas as medidas preventivas sejam tomadas.

 

Se o doente só tem febre e hemorragias pequenas debaixo da pele, não oferece perigo de contágio por via aérea, explicou Jaime Nina. “Só se pode transmitir por via aérea se a pessoa tossir e tiver sangue, pois faz aerossol de partículas de sangue. Estes são os doentes mais perigosos e que justificam isolamentos mais rigorosos e utilização dos escafandros pelos profissionais de saúde”, acrescentou.

 

O especialista explicou ainda que “se um doente viesse com diagnóstico ou com o vírus incubado, não haveria problema, pois seria isolado em tempo útil e quando se manifestasse a doença já estaria controlado”.

 

A fase de incubação do vírus do Ébola dura entre uma semana e dez dias, período em que a doença não é contagiosa. Após este período a doença manifesta-se através de febre, hemorragias, vómitos e diarreias. A taxa de mortalidade pode variar entre os 25 e os 90 por cento.

 

O atual surto de Ébola que assola a África Ocidental superou a barreira dos mil mortos, com 1.013 vítimas mortais e 1.848 casos, de acordo com o último balanço da Organização Mundial de Saúde.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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