Risco de fumar maior em filhos de pais divorciados

Estudo publicado na “Public Health”

20 março 2013
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Os filhos de pais divorciados apresentam uma possibilidade substancialmente maior de começarem a fumar comparativamente com os de pais que não se tenham separado, atesta um estudo conduzido pela University of Toronto, Canadá.

O estudo, que teve por base uma análise conduzida em 19.000 norte-americanos, revelou que os homens que tinham passado pelo divórcio dos pais antes de terem atingido os 18 anos, apresentavam uma hipótese 48% maior de fumarem 100 ou mais cigarros do que aqueles cujos pais se mantiveram juntos. Da mesma forma, as mulheres apresentavam um risco 39% mais elevado de virem a fumar do que aquelas cujos pais que se mantiveram unidos.

 

A equipa de investigadores liderados por Esme Fuller-Thomson, da Factor-Inwentash Faculty of Social Work da University of Toronto, estudou uma amostra representativa constituída por 7.580 homens e 11.506 mulheres com idade igual ou superior a 18 anos, retirada de uma sondagem conduzida pelo Center for Disease Control em 2010. Desta amostra, 1.551 filhos e 2.382 filhas tinham passado pelo divórcio dos pais antes de terem atingido os 18 anos de idade. Um total de 4.316 homens e de 5.072 mulheres tinham declarado terem fumado pelo menos 100 cigarros na sua vida.

 

Esme Fuller-Thomson comenta que “foi muito perturbador ter encontrado esta associação entre o divórcio dos progenitores e fumar”. A investigadora admite que a equipa esperava que essa associação entre o divórcio parental e fumar fosse devida a um ou mais fatores como a exposição a baixos níveis de escolaridade ou de rendimentos, problemas mentais em adultos, tal como depressão ou ansiedade entre os filhos de pais divorciados ou outros traumas ocorridos durante a primeira infância como vícios dos pais ou terem sofrido abuso físico, sexual ou emocional.

 

As características descritas foram já associadas, noutros estudos, à iniciação do hábito de fumar. Mesmo excluindo esses fatores, mantinha-se uma forte associação entre o divórcio parental e fumar. Joanne Filippelli, aluna de doutoramento da University of Toronto, defende que existe a possibilidade de “os filhos transtornados pelo divórcio dos pais fumarem como um mecanismo de compensação para regularizarem as emoções e o stress. Existem estudos que indicam que este efeito calmante poderá revelar-se particularmente atrativo para quem tenha sofrido adversidades em idade precoce”.

 

No entanto, não foi ainda estabelecida uma relação de causalidade entre os fatores mencionados e para tal é necessário efetuar estudos longitudinais. Se se comprovar, em estudos futuros, que a relação entre divórcio parental e fumar é causal, poder-se-á criar programas de prevenção do tabaco destinados a filhos cujos pais se encontram em fase de divórcio. O vício de fumar constitui uma das principais causas evitáveis de doenças crónicas e de morte prematura.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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