Risco de enfarte agudo do miocárdio oito vezes maior nos fumadores mais jovens

Estudo publicado na revista “Heart”

05 dezembro 2016
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Os fumadores com menos de 50 anos são oito vezes mais propensos a sofrerem um enfarte agudo do miocárdio, comparativamente com os não fumadores, dá conta um estudo publicado na revista “Heart”.
 
Todos os fumadores têm um risco aumentado de ter um enfarte agudo do miocárdio, comparativamente com os não fumadores. Contudo, até à data, não se conhecia qual a magnitude do risco entre as diferentes faixas etárias. 
 
Foi neste contexto que os investigadores do Centro Cardiotorácico de South Yorkshire, no Reino Unido, analisaram os dados de 1.727 adultos submetidos a um tratamento para o tipo clássico de enfarte agudo do miocárdio, o STEMI, entre 2001 e 2012.
 
O STEMI, enfarte do miocárdio com elevação do segmento ST, refere-se a um padrão típico observado no eletrocardiograma que indica que uma grande proporção do músculo cardíaco está a morrer. 
 
Os investigadores também recolheram informação do Inquérito Domiciliar Integrado levado a cabo no Reino Unido sobre a prevalência do tabagismo e outros aspetos de saúde. Cerca de metade dos pacientes eram fumadores, aproximadamente um quarto eram ex-fumadores e quarto não fumadores. 
 
O estudo apurou que os fumadores atuais tendiam a ser dez a 11 anos mais novos que os ex-fumadores ou os não fumadores, quando tiveram um enfarte do miocárdio com elevação do segmento ST. Verificou-se ainda que os fumadores e os ex-fumadores eram, comparativamente com os não fumadores, duas vezes mais propensos a terem sofrido episódios de doença arterial coronária. Estes indivíduos eram também três vezes mais propensos, que os não fumadores, a terem doença vascular periférica, uma condição em que há uma redução do fluxo sanguíneo para as artérias das pernas devido à acumulação de depósitos de gordura nas paredes das artérias.
 
Com base na análise dos dados, os investigadores concluíram que os fumadores tinham uma probabilidade três vezes maior de sofrerem um enfarte do miocárdio com elevação do segmento ST, comparativamente com os ex-fumadores e os não fumadores em conjunto. 
 
Contudo, verificou-se que os indivíduos com menos de 50 anos eram aqueles que tinham um risco mais elevado, apresentando um risco cerca de 8,5 vezes maior de sofrerem um enfarte do miocárdio com elevação do segmento ST que os ex-fumadores e os não fumadores. Este risco diminui de acordo com a idade, tendo reduzido para uma diferença cinco vezes maior entre os indivíduos entre 50 e 65 anos de idade, e três vezes maior no caso dos participantes com mais de 65.
 
Na opinião dos investigadores, o risco elevado de enfarte do miocárdio com elevação do segmento ST nos fumadores mais jovens não é fácil de explicar uma vez que este grupo etário não tem muitos outros fatores de risco presentes nos fumadores mais velhos, incluindo pressão arterial elevada, níveis de colesterol elevados ou diabetes. Desta forma, o tabaco pode ser o fator de risco mais importante.
 
Os cientistas concluem que os fumadores devem ser encorajados a frequentar terapias de cessação tabágica para reduzir o risco de enfarte agudo do miocárdio com elevação do segmento ST, especialmente os fumadores mais jovens cujo risco aumentado não é frequentemente reconhecido.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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