Risco de doença cardíaca associado a determinado tipo de gordura
01 fevereiro 2017
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Um maior volume de um determinado tipo de gordura que rodeia o coração está significativamente associado a um risco mais elevado de doença cardíaca em mulheres após a menopausa e naquelas com níveis mais baixos de estrogénio na meia-idade, dá conta um estudo publicado no “Journal of the American Heart Association”.
 

Samar R. El Khoudary, a líder do estudo, referiu que pela primeira vez foi identificado o tipo de gordura cardíaca associada a um fator de risco para doenças cardíacas e foi demonstrado que a fase da menopausa e os níveis de estrogénio são importantes fatores modificadores deste risco.
 

Segundo a Universidade de Pittsburgh, nos EUA, em comunicado divulgado no seu sítio da Internet, existem dois tipos de gordura em torno do coração. A gordura epicárdica, que cobre diretamente o tecido cardíaco e está localizada entre o exterior do coração e o pericárdio, ou seja a membrana que envolve o coração. Por outro lado, a gordura paracardial é aquela que se encontra fora do pericárdio, anterior à gordura epicárdica. Este tipo de gordura não tem nenhuma função protetora conhecida.
 

No estudo os investigadores avaliaram dados clínicos, incluindo amostras de sangue e tomografias computadorizadas do coração, de 478 mulheres que tinham uma média de 51 anos. As mulheres encontravam-se em diferentes fases da menopausa e não estavam a ser submetidas a terapia hormonal de substituição.
 

Os investigadores já tinham demonstrado, em estudos anteriores que, a presença de um maior volume de gordura paracardial, mas não de gordura epicárdica, após a menopausa é resultante da diminuição dos níveis da hormona estradiol nas mulheres de meia-idade. Um maior volume de gordura epicárdica foi associado a outros fatores de risco, como a obesidade.
 

Neste estudo os investigadores constataram que não só um maior volume de gordura paracardial é específico da menopausa, como também nas mulheres pós-menopáusicas e naquelas com níveis mais baixos de estradiol está associado a um maior risco de calcificação da artéria coronária, um sinal precoce de doença cardíaca.
 

Os investigadores verificaram que um maior volume da gordura paracardial do percentil 25 para o 75, correspondente a um aumento de 60%, estava associado a um risco 160% mais elevado de calcificação da artéria coronária e a aumento de 45% na extensão da calcificação da artéria coronária em mulheres pós-menopáusicas, comparativamente com as aquelas na pré-menopausa ou no início da menopausa.

 

A investigadora conclui que, a gordura epicárdica e a paracardial são, claramente, tipos distintos de gordura cardíaca que são encontrados em maiores quantidades em mulheres pós-menopáusicas por diferentes razões e com efeitos distintos no risco de doença cardíaca. Assim, estas gorduras devem ser avaliadas separadamente quando se está a tentar encontrar formas de ajudar a evitar doenças cardíacas em mulheres.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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