Risco de diabetes tipo 2 em crianças associado a muito tempo de TV, internet

Estudo publicado na revista “Archives of Disease in Childhood”

20 março 2017
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As crianças que passam muito tempo a ver TV, com consolas de jogos ou em frente ao computador apresentam mais fatores de risco de diabetes de tipo 2, sugere um estudo recente.
 
O estudo conduzido por investigadores liderados por Claire Nightingale da Universidade St. George de Londres, Inglaterra, demonstrou que as crianças que passam mais de três horas diárias em frente a um ecrã apresentam a possibilidade de terem mais gordura corporal e resistência à insulina, o que significa que o organismo passa a ter menos controlo sobre os níveis de açúcar no sangue. 
 
Este estudo assume relevância já que surge numa altura em que se regista um aumento cada vez maior na utilização de dispositivos eletrónicos, como smartphones e tablets, por crianças.
 
Para o estudo, a equipa contou com dados de saúde de cerca de 4.500 crianças com 9 e 10 anos de idade, oriundas das cidades de Londres, Birmingham e Leicester.
 
Os investigadores mediram a gordura corporal, a tensão arterial, o colesterol, a resistência à insulina e os níveis de açúcar no sangue em jejum nas crianças. Os participantes foram também questionados sobre os seus hábitos diários de utilização de computadores, tablets, TV e outros dispositivos eletrónicos.
 
Foi observado que 4% das crianças nunca viam TV nem usavam dispositivos eletrónicos. Um pouco mais de um terço das crianças dizia que passava menos de uma hora por dia com esses dispositivos. 28% disse passar até duas horas, 13% afirmou passar até três horas e 18% admitiu passar mais de três horas diárias com dispositivos eletrónicos ou a ver TV.
 
Os investigadores descobriram ainda que era mais comum serem os rapazes a passar tempo excessivo frente a um ecrã em vez das raparigas. 
 
Foi apurado que a gordura total das crianças aumentava, quanto maior fosse o tempo passado a ver TV ou com um dispositivo eletrónico. O nível de leptina, a hormona que está envolvida no controlo do apetite e na resistência à insulina, foi também associado ao tempo passado em frente a um ecrã.
 
“Os nossos achados sugerem que reduzir o tempo passado em frente a um ecrã poderá ser benéfico para reduzir os fatores de risco da diabetes de tipo 2, tanto em raparigas como em rapazes e em diferentes grupos étnicos desde tenra idade”, concluíram os autores do estudo. 
 
Os autores sublinham que estes achados não provaram uma relação de causa e efeito, mas que, no entanto, podem ter implicações importantes na saúde pública, considerando o tempo cada vez maior de uso de dispositivos eletrónicos por crianças.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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