Risco de cancro do pâncreas associado a menos luz solar

Estudo publicado no “Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology”

06 maio 2015
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Os índices de cancro do pâncreas são mais elevados nos países com os índices menores de luz solar, aponta um estudo recente.
 
Conduzido por uma equipa de epidemiologistas da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia San Diego, EUA, o estudo indica que a possível causa para a elevada incidência de cancro do pâncreas nos países com menos luz solar se poderá dever a uma menor produção de vitamina D, derivada da fraca exposição solar dos indivíduos.
 
“Se moramos a uma elevada altitude ou num local amplamente coberto com nuvens densas não se pode produzir vitamina D durante grande parte do ano, o que resulta num risco maior do que o normal de desenvolvimento do cancro do pâncreas”, explica Cedric F. Garland, professor adjunto no Departamento de Medicina Familiar e de Saúde Pública no Centro para o Cancro Moores daquela universidade e autor principal do estudo.
 
A equipa tinha demonstrado anteriormente que a presença de níveis suficientes de um metabólito sérico da vitamina D denominado 25-hidroxivitamina D está associada a um risco substancialmente inferior de cancro da mama e cancro colorretal. Este estudo é o primeiro a associar a insuficiência de vitamina D ao cancro do pâncreas.
 
Para o estudo foram analisados dados provenientes de 107 países, sendo que os investigadores tiveram em consideração diferenças internacionais e outras variáveis como o consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e obesidade. 
 
“Enquanto esses outros fatores contribuem para o risco, a forte associação inversa à luz solar ajustada à camada de nuvens persistia após terem sido considerados aqueles fatores”, explicou Cedric Garland.
 
O investigador acrescenta ainda que “as pessoas que vivem em países com sol perto do equador apenas apresentam um sexto da taxa de incidência ajustada à idade de cancro do pâncreas do que as que vivem longe dali. A importância da insuficiência da luz solar sugere fortemente (mas não prova) que a carência de vitamina D poderá contribuir para o risco de cancro do pâncreas”. 
 
A maioria das pessoas necessita de vitamina D produzida pelo organismo mediante a exposição direta ao sol, à radiação ultravioleta B. A exposição solar através de uma janela não permite a produção de vitamina D. A sombra, nuvens e as peles mais escuras promovem uma menor produção daquela vitamina.
 
Existem poucos alimentos em que a vitamina D ocorre de forma natural: os peixes gordos são boas fontes de vitamina D. Outros alimentos que contêm naturalmente pequenas quantidades daquela vitamina são os ovos, queijo e o fígado de vaca. Outros alimentos, como cereais, leite e sumo poderão ser fortificados com vitamina D.
 
Segundo o Fundo Mundial de Investigação para o Cancro, o cancro do pâncreas é o décimo segundo mais comum do mundo, com 338 mil casos diagnosticados a cada ano. As taxas de incidência mais elevadas da doença são na Europa e América do Norte e as menores encontram-se na Ásia e África.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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