Risco de autismo associado a febre durante a gravidez

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

19 junho 2017
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Os episódios de febre maternos durante a gravidez poderão fazer aumentar o risco de o bebé desenvolver a perturbação do espetro do autismo, atestou um novo estudo.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Escola de Saúde Pública Mailman da Universidade Columbia, EUA, apurou ainda que este risco aumenta para 40% se a febre ocorrer no segundo trimestre da gravidez e poderá chegar a mais de 300% com três ou mais episódios de febre após as 12 semanas de gestação.
 
Par o estudo, os investigadores seguiram 95.754 crianças nascidas entre 1999 e 2009, que incluíam 583 casos de autismo identificados na Noruega. Foi apurado que as mães de 15.701 crianças (ou seja, 16%) disseram ter tido febre em um ou mais intervalos de uma a quatro semanas durante a gravidez.
 
A equipa descobriu que o risco de autismo aumentava para 34% nos filhos com mães que tinham dito ter tido febre em qualquer altura da gravidez, e para 40% durante o segundo trimestre. 
 
O risco aumentava de forma semelhante à dose-dependente, de um risco 1,3 maior com um a dois episódios de febre após as 12 semanas de gravidez para um aumento 3,12 vezes com três ou mais episódios de febre.
 
O estudo abordou ainda a influência de dois fármacos antipiréticos comuns sobre o risco de autismo nos filhos, o acetaminofeno e o ibuprofeno. Os riscos foram minimamente mitigados nas crianças cujas mães tinam tomado acetaminofeno durante o segundo trimestre da gravidez. 
 
Embora não tivessem sido registados caos de autismo nas crianças de mães que tinham tomado ibuprofeno, não foi apurado se o risco foi mitigado devido ao número muito limitado de grávidas que tinham tomado aquele fármaco.
 
“Os nossos resultados sugerem um papel para a infeção gestacional materna e as respostas imunes inatas à infeção no desencadeamento de pelo menos alguns casos do transtorno do espetro autista”, explicou Mady Hornig, primeira autora do estudo.
 
“Os trabalhos futuros deverão concentrar-se na identificação e prevenção de infeções e respostas inflamatórias pré-natais que possam contribuir para o transtorno do espetro autista”, acrescentou W. Ian Lipkin, autor sénior do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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