Ricina poderá ser outra arma de bin Laden
17 novembro 2001
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Depois do anthrax, a ricina pode ser a próxima ameaça a pairar sobre o mundo Ocidental, segundo notícias ontem divulgadas indicando que a rede de bin Laden reuniu informações sobre esta proteína altamente tóxica.
 

 

Uma investigação do jornal britânico The Times
 

ontem publicada revela que foram encontradas instruções sobre esta proteína tóxica numa casa da rede terrorista Al Qaeda, em Kabul.
 

 

A ricina é uma proteína produzida pelo rícino (Ricinus Communis L.), uma planta originária da Índia, (ver foto) mas que se encontra presentemente espalhada por diversas regiões tropicais, subtropicais e temperadas.
 

 

«A ricina presente em cinco sementes (cerca de um miligrama) é suficiente para provocar a morte de um adulto com cerca de 75 quilogramas», explicou à Agência Lusa Adriano Teixeira, director do Laboratório de Química Orgânica Analítica e de Síntese (LAQAS) do Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (INETI).
 

 

Das sementes desta planta é extraído, por processos a quente ou a frio, o conhecido óleo de rícino, que encontra aplicações na medicina, por exemplo, como laxativo, e nas indústrias de lubrificantes, tintas, vernizes, plásticos e fibras sintéticas.
 

 

No entanto, os óleos de rícino comerciais estão livres de ricina, substância que se concentra nos desperdícios sólidos obtidos no processo de extracção do óleo, ou seja, facilmente acessível a mãos criminosas.
 

 

«A ricina, presente nas sementes e nos desperdícios de extracção, principalmente nos dos processos a frio, é uma substância extremamente tóxica por ingestão», sublinhou Adriano Teixeira.
 

 

Envenenamento e morte
 

 

Segundo o relato do The Times, numa das páginas de instruções encontradas em Kabul encontra-se uma lista das propriedades da ricina, incluindo as dores que causa e o tempo que leva até à morte do indivíduo envenenado: «três a cinco dias no mínimo e quatro a 14 dias no máximo».
 

 

O documento lista ainda os sintomas de um envenenamento por rícino: vómitos, dores abdominais fortes, sede extrema, diarreia com sangue, aceleração do batimento cardíaco, suores, convulsões e morte.
 

 

A ricina terá sido utilizada para matar o jornalista búlgaro Georgi Markov, opositor ao regime do país, em Londres, no ano de 1978.
 

 

A teoria mais largamente difundida é que o veneno foi introduzido na coxa de Markov usando a ponta de um chapéu de chuva como arma.
 

 

Iraque
 

 

Na década de 90, os inspectores das Nações Unidas encontraram ricina no Iraque, como fazendo parte do arsenal de armas de Saddam Husein.
 

 

Não existem vacinas ou tratamentos específicos para ajudar um indivíduo envenenado com ricina, uma substância que consta na lista da Convenção para a Proibição das Armas Químicas.
 

 

Como não é activada por contacto com a pele nem é volátil, esta proteína não é tão contagiosa como outros agentes químicos e biológicos.
 

 

Por outro lado, a ricina é difícil de detectar em laboratório, especialmente quando misturada com alimentos.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

 

 

 

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