Revistas científicas repudiam estudos “comprados”

Prestigiadas revistas médicas norte-americanas querem regular a publicação dos resultados das investigações

10 setembro 2001
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A publicação de resultados de estudos clínicos nos meios de comunicação social está a geral alguma polémica nos EUA. Com o intuito de repudiar pressões de muitos laboratórios farmacêuticos que pretendem influenciar resultados de estudos, prestigiadas revistas médicas anunciaram que vão ser muito mais exigentes antes de publicar algum artigo.
 

 

Inúmeras publicações de informações médica de prestígio internacional associaram-se a esta iniciativa, destinada a preservar a integridade científica. Entre muitas outras, encontram-se o British Medical Journal (BMJ), o Lancet, publicações norte-americanas como New England Journal of Medicine (NEJM), o jornal da American Medical Association (JAMA), a agência Medline e o jornal da Associação Médica Canadiana.
 

 

Estudos encomendados, influência dos resultados de testes de novos medicamentos ou a censura de conclusões desfavoráveis são acções levadas a cabo por alguns laboratórios farmacêuticos com vista a promover os seus produtos. “Todos nós aqui presentes já vimos exemplos em que o interesse financeiro prevaleceu sobre o cuidado com o doente”, afirmou Richard Horton, médico e signatário do documento.
 

 

Os editores das revistas especializadas partilham da mesma opinião e advertem para o facto da segurança dos pacientes estar ameaçada pelos interesses comerciais escondidos atrás dos resultados de testes científicos.
 

 

Outros casos, apontados pelos editores, residem nas investigações dirigidas acentuaram apenas o benefício de um medicamento, ocultando do público os efeitos secundários potencialmente sérios.
 

 

Numa mensagem conjunta, os chefes de redacção dessas revistas consideraram que os testes terapêuticos de novas substâncias devem ser realizados de forma independente, a fim de assegurar a promoção de produtos seguros e eficazes.
 

 

Pressão e dignidade
 

“Pressão económica” e “competição entre investigadores” não favorecem esse objectivo, assinalam os signatários. Quem financia os estudos, geralmente laboratórios farmacêuticos, podem, de facto, apropriar-se do direito de analisar e interpretar os resultados para decidir não publicar nada se quiserem.
 

 

Na opinião da prestigiada revista “Lancet”, muitos médicos e investigadores “deixam de lado a sua dignidade e aceitam algumas decisões porque sabem que, se as rejeitarem, as empresas encontrarão outras pessoas que as aceitam”
 

 

Para resolver este problema, a revista propõem aos autores dos estudos que assinem um acordo no qual aceitem o acompanhamento integral dos resultados dos trabalhos bem como ao acesso aos dados que controlam a decisão da publicação. “Se os autores não puderam satisfazer as exigências nesses pontos, então nós não publicaremos seus trabalhos", advertiu Richard Smith, chefe de redacção do BMJ.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: CNN
 

 

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