Revelado genoma do Mycobacterium leprae

Aberta a porta para um melhor diagnostico e tratamento da Lepra

23 fevereiro 2001
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Uma equipa internacional de investigadores, chefiada pelo Dr. Stewart T. Cole do Instituto Pasteur em Paris, revelou hoje num artigo publicado na revista “Nature” (Vol. 409, Nr. 6823, pág. 1007) que tinham mapeado o genoma do microrganismo responsável pela Lepra, o Mycobacterium Leprae.
 

 

Partindo do princípio que esta bactéria descende de um ancestral comum ao do Mycobacterium tuberculosis (responsável pela tuberculose), analisando o genoma do Mycobacterium leprae sobressai o facto de que este apresenta somente metade dos genes do M. Tuberculosis, tendo perdido aproximadamente 2000 genes ao longo da sua evolução. Segundo os mesmos investigadores apenas menos de metade destes são funcionais. Este reduzido número de genes traduz um alto grau de especialização por parte desta bactéria.
 

 

Trata-se de uma bactéria que se multiplica a um ritmo muito lento (uma divisão em cada 14 dias) o que torna impossível a sua cultura em laboratório. São então utilizados os Tatus como cobaias já que estes, embora infectados, não desenvolvem a doença.
 

 

As manifestações clínicas da Lepra incluem lesões da face (que dependendo do tipo de Lepra são mais ou menos graves) e lesões neuropáticas, com atingimento principal dos nervos periféricos; que se não tratadas podem levar à desfiguração e perda de porções de pele (principalmente da face), e até à cegueira.
 

 

Este estudo genético poderá facilitar o diagnóstico da lepra nos seus estágios mais precoces de evolução. Actualmente é praticamente impossível confirmar o diagnóstico da Lepra em pacientes com pequenas lesões, uma vez que é difícil isolar o Mycobacterium leprae nessas lesões. Mas quanto mais cedo for instituído o tratamento, menos trágicas serão as suas consequências. Pretende-se também indicar novos caminhos no combate a esta doença com o desenvolvimento de novos medicamentos a curto prazo.
 

 

Apesar de ser uma doença já mencionada na Bíblia, ainda não se sabe exactamente a sua forma de propagação. Não existe ainda uma cura para a lepra, embora o seu progresso possa ser impedido.
 

 

A lepra infecta mundialmente cerca de 700.000 pessoas todos os anos, estimando-se a sua prevalência entre 20 a 30 milhões de casos.
 

 

Fonte: Net Doktor e Reuters
 

 

Adaptado por David Ferreira
 

MNI – Médicos na Internet

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