Reutilização de ouro, prata e platina de pacemakers

Estudo da Universidade do Porto

13 julho 2016
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A valorização e reutilização de metais nobres, como o ouro, a prata e a platina, presentes nos pacemakers e noutros dispositivos implantáveis utilizados no tratamento de complicações cardíacas, estão a ser avaliadas pelos investigadores da Universidade do Porto.
 

A ideia surgiu no âmbito de uma unidade curricular de Gestão de Resíduos Sólidos, que inclui visitas a diferentes entidades que lidam com diversas tipologias de resíduos, referiu à agência Lusa, o coordenador do projeto e docente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), António Guerner Dias.
 

Ao longo das visitas verificou-se que dispositivos como os pacemakers, ao entrarem em contacto com tecidos biológicos, acabam por ser classificados como resíduos hospitalares do grupo III, devendo ser incinerados ou sujeitos a outro tratamento que lhes permita a classificação de resíduo não perigoso.
 

À luz da atual legislação, os resíduos hospitalares dividem-se por quatro grupos, ficando nos dois primeiros os que não representam qualquer tipo de perigo, enquanto nos dois últimos são colocados os que podem ter riscos biológicos associados, como os pacemakers e outros tipos de equipamentos cardíacos implantáveis no organismo humano, explicou o investigador.
 

Habitualmente os equipamentos colocados no grupo III são enviados para incineração ou, "desde que devidamente tratados e desinfetados", podem ser classificados como resíduos hospitalares do grupo I ou II, podendo então ser encaminhados para deposição num aterro sanitário ou para qualquer outro processo de eliminação.
 

"A questão é que quando um pacemaker passa por esse processo de limpeza" acaba por se tornar num resíduo igual aos encontrados nos equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE)", que "são, muitas vezes, reaproveitados", disse António Guerner.
 

Para o reaproveitamento daqueles componentes é necessária uma quantidade elevada de dispositivos, uma vez que os pacemakers modernos pesam entre 20 a 30 gramas, "o que não é nada", referiu o professor.
 

Caso se consiga "obter duas ou três centenas de miligramas de ouro a partir de um pacemaker é algo extraordinário", acrescentou António Guerner, sublinhando que para se ter um quilo de ouro seriam necessárias algumas centenas de milhares de pacemakers.
 

Apesar de em Portugal a média de dispositivos do género substituídos por ano rondar os oito mil, se se juntar os que são substituídos em toda a Europa, obtém-se uma quantidade que pode justificar a criação de uma unidade de recolha, tratamento e aproveitamento" desse material, concluiu António Guerner.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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