Retinopatia: um marcador de distúrbios vasculares cerebrais?

Estudo publicado na revista “Neurology”

20 março 2012
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O rastreio da retinopatia, uma doença que afeta os vasos sanguíneos da retina, pode também funcionar como um marcador para as alterações cognitivas associadas com distúrbios vasculares cerebrais, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.

 

A retinopatia é habitualmente causada pela diabetes tipo 2 ou pressão arterial elevada. Assim o diagnóstico precoce desta doença ocular pode ser indicador destas duas condições, permitindo alterações atempadas no estilo de vida ou nas intervenções terapêuticas, e numa altura em que estas terão mais impacto.

 

Para o estudo os investigadores da University of California, nos EUA, contaram com a participação de 511 mulheres que tinham uma média de 69 anos de idade no início do estudo. Ao longo dos 10 anos de acompanhamento as mulheres foram, anualmente, submetidas à avaliação cognitiva que testava a sua capacidade de memória de curta duração e de raciocínio. Num dos testes, por exemplo, as mulheres ouviam várias palavras e depois tinham que as repetir cinco minutos mais tarde. Durante o quarto ano de acompanhamento as participantes foram também submetidas a um teste ocular. Já no oitavo ano de acompanhamento foi realizada uma tomografia ao cérebro a todas as participantes.

 

O estudo apurou que durante o período de acompanhamento, 39 participantes desenvolveram retinopatia e em média, os resultados obtidos nos testes cognitivos foram mais baixos do que as que não desenvolveram esta doença ocular. Através da análise das tomografias, os investigadores verificaram que as mulheres com retinopatia apresentavam maiores danos vasculares cerebrais. Em particular, estas últimas tinham um volume da área cerebral 47% mais afetado do que as que não tinham desenvolvido esta doença ocular. No lobo parietal do cérebro, as mulheres com retinopatia tinham volumes 68% maiores de áreas afetadas.

 

As mulheres com retinopatia apresentavam também um maior espessamento das faixas de substância branca que transmitem sinais ao cérebro.

 

Contudo, os investigadores não observaram nenhuma associação entre a retinopatia e um maior atrofiamento cerebral, o qual é uma característica da doença de Alzheimer, o que sugere que a retinopatia não é, provavelmente, um marcador deste tipo de doença.

 

"Este estudo demonstra a importância da avaliação da retina no conhecimento da doença microvascular cerebral a qual pode estar presente nos idosos”, revelou, em comunicado de imprensa, Rebecca F. Gottesman, do Johns Hopkins Intracerebral Hemorrhage Center.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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