Resveratrol pode ajudar a abrandar a doença de Alzheimer?

Estudo publicado na revista “Neurology”

16 setembro 2015
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Investigadores americanos constataram que um biomarcador, que diminui à mediada que a doença de Alzheimer se desenvolve, manteve-se estável nos pacientes que tomaram doses elevadas de resveratrol, dá conta um estudo publicado na revista “Neurology”.
 
O resveratrol é um composto natural que pode ser encontrado nas uvas vermelhas, framboesas, chocolate preto e alguns vinhos tintos.
 
Para o estudo os investigadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos EUA, contaram com a participação de 119 pacientes com demência ligeira a moderada causada pela doença de Alzheimer. Os pacientes foram tratados com doses crescentes de resveratrol. A dose mais elevada de resveratrol testada foi de um grama por dia, duas vezes por mês.
 
O estudo apurou que os pacientes tratados ao longo de 12 meses com doses crescentes de resveratrol apresentaram poucas ou nenhumas alterações nos níveis de beta amiloide 40 (Abeta40, sigla em inglês), no sangue e no líquido cefalorraquidiano. Pelo contrário, aqueles tratados com placebo tiveram uma diminuição dos níveis de Abeta40, comparativamente com os níveis observados no início do estudo. 
 
Os investigadores estudaram o resveratrol uma vez que este ativa proteínas conhecidas como sirtuínas, as mesmas proteínas que são ativadas pela restrição calórica. O maior fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer é a idade e alguns estudos realizados em animais descobriram que as doenças associadas à idade, incluindo a doença de Alzheimer, podem ser prevenidas ou atrasadas através da restrição calórica a longo prazo. 
 
O estudo também revelou que o tratamento com resveratrol mostrou ser seguro e bem tolerado. Os efeitos secundários mais comuns relatados pelos participantes foram gastrointestinais, incluindo náusea e diarreia. Verificou-se também que os pacientes que tomaram resveratrol perderam peso, enquanto aqueles incluídos no grupo de controlo aumentaram de peso.
 
No entanto, os investigadores foram surpreendidos com o facto de as ressonância magnéticas realizadas antes e após o estudo terem demonstrado que os pacientes tratados com resveratrol perderam mais volume cerebral, do que aqueles incluídos no grupo de controlo. 
 
“Ainda não sabemos ao certo como interpretar estes resultados. Uma diminuição semelhante foi encontrada em ensaios que envolveram imunoterapia antiamiloide”, referiu o investigador. Uma das hipóteses avançadas é que o tratamento reduza a inflamação associada à doença de Alzheimer.
 
“Tendo em conta a segurança e as tendências positivas deste ensaio clínico de fase 2, justifica-se a realização de um ensaio de fase 3 para testar se o efeito do resveratrol é eficaz nos indivíduos com ou em risco de doença de Alzheimer”, conclui um dos autores do estudo, R. Scott Turner.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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