Restrição de sono altera flora intestinal

Estudo publicado na revista “Molecular Metabolism”

28 outubro 2016
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A restrição de sono ao longo de apenas dois dias desencadeia alterações na flora intestinal que estão associadas a uma pobre saúde metabólica, sugere um estudo publicado na revista “Molecular Metabolism”.
 

A Academia Americana da Medicina do Sono recomenda que os adultos entre os 18 e os 60 anos durmam pelo menos sete horas todas as noites. Contudo, muitas pessoas não seguem estas recomendações
 

A falta de sono tem sido associada a um aumento do risco de vários problemas de saúde, incluindo a hipertensão, acidente vascular cerebral, doenças cardíacas, obesidade e diabetes tipo 2. Estudos anteriores também associaram as alterações na flora intestinal à obesidade e à diabetes tipo 2. Contudo, até à data ainda não se sabia ao certo se a restrição do sono desempenhava algum papel nesta associação.
 

Adicionalmente, os investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, referiram que alguns estudos realizados em ratinhos e humanos constataram que as bactérias intestinais têm um ritmo circadiano que pode ser interrompido com a perda de sono.
 

Na opinião dos investigadores, têm faltado estudos que avaliem se as alterações metabólicas adversas que podem aumentar o risco de diabetes tipo 2 e obesidade, como a sensibilidade à insulina alterada, estão associadas a mudanças na flora intestinal e aos ácidos gordos de cadeia curta que podem resultar da perda de sono recorrente.
 

Com o intuito de obter mais informações sobre a ligação entre a perda de sono, a flora intestinal e as alterações metabólicas, os investigadores contaram com a participação de nove homens saudáveis com peso considerado normal. Foram analisadas amostras de fezes dos homens após um dia de sono normal (cerca de 8 horas) e 2 dias de sono restrito (cerca de 4 horas cada noite).
 

Apesar de não ter sido encontrada nenhuma evidência de que a perda de sono alterava a diversidade das bactérias intestinais, verificou-se que a flora intestinal tinha sofrido alterações, tais como um aumento na proporção de Firmicutes para Bacteriodetes. Estas bactérias tinham sido, em estudos anteriores, associadas à obesidade.
 

O estudo apurou ainda que após a restrição do sono, os participantes apresentavam uma redução de 20% na sensibilidade à insulina, a hormona que regula os níveis de glucose no sangue.
 

Esta diminuição da sensibilidade à insulina não foi, no entanto, relacionada com alterações na flora intestinal após as noites de restrição de sono. De acordo a investigadora, estes resultados sugerem que as alterações na flora intestinal não são, pelo menos a curto prazo, o mecanismo central através do qual uma ou várias noites de sono reduzido diminuem a sensibilidade à insulina.
 

Apesar de estes resultados sugerirem que a perda de sono pode desencadear mudanças nas bactérias intestinais, os cientistas concluem que são necessários mais estudos para entender melhor se estas alterações influenciam a saúde metabólica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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