Restrição calórica: como influencia a longevidade?

Estudo publicado na “Science”

11 dezembro 2012
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A dieta cetogénica, caracterizada por um baixo consumo de calorias e hidratos de carbono, pode atrasar os efeitos do envelhecimento. O estudo publicado na “Science” revela como ocorre este processo e de que forma pode ajudar a tratar ou a impedir o desenvolvimento de doenças associadas à idade.
 

Com o envelhecimento crescente da população, as doenças associadas à idade são cada vez mais comuns. As doenças cardíacas, o cancro e a doença de Alzheimer são uma das principais causas de morte nos EUA e também em países europeus. Contudo, este cenário pode ser alterado na medida em que os investigadores da Gladstone Institutes, nos EUA, identificaram o papel de um composto que desempenha um papel importante no processo de envelhecimento.
 

Neste estudo os investigadores, liderados por Eric Verdin, analisaram o papel do composto β-hidroxibutirato (βOHB) que é produzido durante uma dieta de baixas calorias ou dieta cetogénica. Apesar dos corpos cetónicos, como o βOHB, serem tóxicos quando presentes em elevadas concentrações em pacientes com doenças como diabetes tipo 2, em baixas concentrações este composto ajuda a proteger as células do stress oxidativo.
 

Os autores do estudo explicam que o stress oxidativo ocorre quando as células utilizam o oxigénio para a produção de energia. Contudo, esta atividade também liberta moléculas potencialmente tóxicas, conhecidas como radicais livres. À medida que as células envelhecem, a eliminação destes radicais não é tão eficaz, o que conduz, consequentemente a danos celulares, stress oxidativo e aos efeitos do envelhecimento.
 

No entanto, os investigadores constaram que o βOHB pode de facto ajudar a atrasar este processo. Experiências realizadas em células humanas e tecidos de ratinho indicaram que, durante o consumo crónico da dieta hipocalórica, a produção deste composto é induzida, bloqueando a atividade de uma classe de enzimas conhecidas por histonas diacilases.
 

A ausência de atividade destas enzimas conduz consequentemente à ativação de dois genes que estão envolvidos na iniciação de um processo que ajuda as células a resistirem ao processo oxidativo. Esta descoberta não só permite identificar um novo papel na via de sinalização do βOHB, como também pode representar uma forma de abrandar os efeitos do envelhecimento nas células do organismo.
 

“Esta descoberta pode ser relevante para uma variedade de doenças neurológicas, com a doença de Alzheimer, Parkinson, autismo e danos cerebrais traumáticos, doenças estas que afetam milhões de pessoas e para as quais ainda existem poucas opções de tratamento”, conclui um das coautoras do estudo, Katerina Akassoglou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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