Ressonância magnética com potencial para melhor prever risco de cancro da mama

Estudo publicado no “Radiology”

15 maio 2015
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A ressonância magnética poderá ter um papel mais preponderante nas abordagens personalizadas ao rastreio e prevenção do cancro da mama, revelam cientistas norte-americanos.
 
Um novo estudo debruçou-se sobre a relação entre características detetadas em exames de imagem e o risco de cancro da mama em mulheres com um elevado risco devido a antecedentes familiares, mutações genéticas associadas à doença ou outros fatores.
 
Estudos anteriores haviam já associado tecido mamário denso (ou seja, tecido que contém mais tecido fibroglandular do que tecido adiposo) a um risco aumentado de cancro da mama.
 
“Embora a densidade mamária seja geralmente associada ao risco de desenvolvimento de cancro da mama, não é evidente se a deteção desta ou doutras características através de exames de imagem possa ser considerada uma melhoria em relação aos atuais métodos de avaliação de risco”, revelou Habib Rahbar, coautor do estudo e docente da Universidade de Washington.
 
A ressonância magnética (RM) com contraste é uma das potenciais ferramentas que já se encontra a ser utilizada como opção de imagem para complementar a mamografia em mulheres com elevado risco de cancro da mama. Atualmente, a Sociedade Americana de Cancro recomenda que todas as mulheres com risco superior a 20% de desenvolver cancro da mama realizem uma RM anual à mama, além da mamografia anual de rotina.
 
Neste novo estudo, Rahbar e seus colegas reviram imagens de RM de mulheres com mais de 18 anos de idade e elevado risco de cancro da mama, sem antecedentes da doença, que realizaram o rastreio entre janeiro de 2006 e dezembro de 2011.
 
Os cientistas procuraram associações entre o risco de cancro e características presentes nos exames de imagem, incluindo densidade mamária e realce parenquimatoso de fundo (RPF). O RPF é um fenómeno em que áreas de tecido normal aparecem em branco ou realçadas no exame de imagem. O motivo deste realce ainda não foi esclarecido, embora estudos sugiram uma possível relação com risco de cancro.
 
Os resultados demonstraram que as mulheres que apresentavam uma quantidade elevada de RPF nos exames de imagem eram nove vezes mais propensas a desenvolver cancro da mama no intervalo de acompanhamento do estudo do que aquelas que apresentavam uma quantidade de RPF normal ou mínima. Por outro lado, a densidade mamográfica não pareceu ter qualquer relação significativa com o risco de cancro no grupo de estudo.
 
Estes achados sugerem que o RPF poderá ajudar os médicos a moldar as estratégias de rastreio e gestão ao nível de risco individual de cancro da mama. Atualmente, as mulheres com um risco elevado têm várias opções, incluindo RM, terapia preventiva com tamoxifen (um fármaco que bloqueia a atividade do estrogénio na mama) ou mastectomia preventiva. Caso estes resultados venham a ser validados em estudos mais alargados, o RPF poderá fornecer mais informação para ajudar a orientar estas decisões importantes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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