Ressacas não dissuadem os jovens de beber

Estudo explica porque os adolescentes continuam a ingerir álcool

21 janeiro 2004
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Porque razões os jovens bebem até cair num dia em o no outro estão prontos para voltar a ingerir álcool em quantidades abissais? Porque, simplesmente, não sofrem muito com as ressacas.
 

Um estudo efectuado pela Binghamton University, de Nova Iorque, refere que, em comparação com os adultos, os jovens apresentam fracos efeitos secundários provocados pelo álcool.
 

Utilizando ratinhos fêmeas para a fase de experimentação, os investigadores descobriram que os roedores adolescentes tinham ressacas mais leves, menos ansiedade e recuperavam-se mais rapidamente do excesso de bebida que os roedores adultos.
 

As descobertas trazem novas informações sobre os perigos de ingerir álcool entre os adolescentes humanos, incluindo o risco elevado de abuso de álcool, segundo os investigadores.
 

«Em ratinha adultas, todo o tipo de comportamento social é suspenso durante a fase de ressaca, o que significa que estão a passar por uma fase de ansiedade aumentada», indicou a co-autora do estudo Elena Varlinskaya, professora associada de investigação de psicologia na Binghamton University. Estes efeitos secundários actuam como efeito dissuasivo ao consumo posterior de álcool.
 

Em contraste com as ratinhas adolescentes, as adultas não só demonstraram um aumento muito ténue na interacção social como uma elevada dose de álcool lhes cortava, literalmente, a vida activa. Ao invés, os roedores que se recuperavam mais facilmente entravam numa forma de actividade social que os psicólogos explicaram como «um sinal de que estão a desfrutar».
 

«E é esta ressaca pouco habitual, marcada por um aumento na interacção social, que as incentiva para beber», explicou a psicóloga.
 

Segundo Douglas B.Mathews, professor associado de psicologia na Universidade de Memphis, as descobertas ajudam a explicar porque razões os adolescentes que ingerem álcool têm um risco elevado de problemas relacionados com o álcool durante a fase adulta. A investigação também demonstrou que os roedores adolescentes que se embriagam sofrem de perda de memória mais tarde e durante toda a vida.
 

No início da investigação, os cientistas encontraram um entrave, dado que não podiam avaliar os efeitos do álcool no grupo que pretendiam estudar: os adolescentes. Isto porque, a experiência em seres humanos levantava obstáculos éticos e práticos.
 

«Não se pode dar a alguém, com menos de 21 anos, quantidades altas de álcool por preocupações óbvias de saúde», indicou Matthews. Mas também não era possível avaliar os jovens, de modo exacto, depois de uma noite de álcool, dado não ser possível saber, com certezas, que outras drogas tinham tomado.
 

Como resultado, os investigadores recorreram a roedores. Neste estudo, os cientistas injectaram uma solução salina e/ou uma alta dose de álcool na corrente sanguínea de ratinhos machos, fêmeas e adolescentes. «Foi uma grande dose equivalente à quantidade que possivelmente faria desmaiar um ser humano», explicou a investigadora.
 

Após a ingestão, e passadas algumas horas, os cientistas avaliaram a quantidade de álcool que tinha saído dos seus organismos. Como se esperava, os roedores injectados com álcool interagiram menos com os seus companheiros que as ratinhas expostas à solução salina. Estas não só mostraram muito pouca mudança social e de comportamento, como também recuperaram mais rápido que os seus congéneres adultos.
 

As descobertas foram publicadas na edição de Janeiro da revista Alcoholism: Clinical & Experimental Research. Em conclusão, os cientistas apontam como solução para reduzir o abuso de álcool na idade adulta uma forte aposta na educação desde a infância.
 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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