Resposta na saúde mental ainda é insuficiente

Relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde

02 julho 2014
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A resposta dos serviços na área da saúde mental é ainda insuficiente, considera o Observatório Português de Saúde que propõe melhorias na articulação com os cuidados de saúde primários e um sistema menos burocrático.
 

De acordo com o Relatório de Primavera 2014 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), ao qual a agência Lusa teve acesso, Portugal está perante uma conjugação de fatores desfavoráveis na área da saúde mental, agravada pela resposta insuficiente e sustentada por um sistema de informação “aparentemente medíocre”.
 

Com base nos dados do Infarmed e do INE (Instituto Nacional de Estatística), o OPSS chama a atenção para o aumento do consumo de antidepressivos, dos casos de desemprego, da emigração e das famílias a viverem no limiar da pobreza.
 

“Estamos, assim, perante um cenário de elevada prevalência base de doença mental, num contexto em que os determinantes sociais de saúde são extremamente desfavoráveis, sendo que normalmente coexistem nas mesmas pessoas potenciando sinergicamente o seu efeito”, considera.
 

Relativamente ao controlo da diabetes, o observatório refere como positivo a evolução dos indicadores relativos aos resultados ao nível dos registos nos cuidados primários, mas lembra o aumento dos reinternamentos por descompensação/complicações da Diabetes e o aumento das amputações dos membros inferiores, contrariando a tendência de redução que se vinha a verificar.
 

As doenças infeciosas são também consideradas das mais sensíveis aos determinantes da saúde afetados pela crise. Assim, como aspetos positivos, o observatório aponta a diminuição do número de casos de infeção e da taxa de mortalidade por VIH/Sida e o decréscimo da taxa de infeção em utilizadores de drogas injetáveis.
 

Quanto aos estilos de vida, reconhecem a existência de diversos programas de intervenção – como o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável e o Regime de Fruta Escolar -, “alinhados com as recomendações internacionais”, mas “dotados de escassos recursos humanos e materiais”.
 

“O facto de os dados indicarem que o consumo alimentar da população portuguesa sofreu alterações com a crise que se vive no país pode ter sido esta uma das principais responsáveis por essas alterações”, consideram os especialistas do OPSS, sublinhando: “o decréscimo do consumo de proteína de origem animal pode não ser um indicador que segue as lógicas do saudável, mas as lógicas socioeconómicas, ou seja, consomem menos proteína animal, aqueles que não a conseguem comprar”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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