Resposta imunológica determinada pelos genes

Estudo publicado na “Cell”

02 outubro 2013
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Uma equipa internacional de investigadores sugeriu que os genes desempenham um papel importante na resposta imunológica, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 

Neste estudo os investigadores envolvidos no SardiNIA Study of Aging e liderados por Franceso Cucca analisaram cerca de 8,2 milhões de variantes genéticas no sangue retirado de 1.629 indivíduos. Os autores do estudo explicam que o sistema imunológico é compreendido por duas linhas de defesa: o sistema imune inato e o adaptativo. O sistema imune inato ou não específico é considerado a primeira linha de defesa do organismo contra a invasão de patogénios. Este sistema envolve barreiras físicas, químicas e biológicas, componentes celulares e moléculas solúveis. O sistema imune adaptativo envolve a produção, armazenamento e transporte de células e moléculas para que ocorra uma resposta específica contra os agentes patogénicos.
 

De acordo com os investigadores, o sistema imunológico evolui no sentido de rejeitar alguns patogénios e até alguns cancros. Contudo, uma função imune elevada pode também tornar o organismo mais suscetível às doenças autoimunes, que ocorrem quando o sistema imunológico ataca as células saudáveis.
 

Uma vez que as células do sistema imune adaptativo, que atacam os microrganismos prejudiciais ou células saudáveis, parecem ser reguladas por genes, os investigadores decidiram investigar se este tipo de resposta poderia ser herdado.
 

O estudo apurou a existência de 89 variantes genéticas independentes, em mais de 53 locais do genoma, associados com a regulação da produção de células do sistema imune. Foi verificado que estas variantes, encontradas em determinados genes, tinham um efeito significativo nos níveis de um ou mais tipo de células imunes.
 

Adicionalmente foi observado que alguns destes genes estavam também envolvidos no risco de desenvolvimento de várias doenças autoimunes, incluindo colite ulcerosa, esclerose múltipla, artrite reumatoide e doença celíaca.
 

“Sabemos que determinadas doenças atingem as famílias. Neste estudo propusemo-nos a conhecer a extensão com que a resistência ou suscetibilidade à doença é herdade nas famílias. Caso a nossa mãe esteja raramente doente, significa que não temos de nos preocupar muito com os microrganismos que nos rodeiam? A imunidade está nos genes? De acordo com este estudo, a resposta é sim, pelo menos em parte”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, David Schlessinger.
 

Os investigadores concluem que o conhecimento dos genes que afetam o sistema imunitário e o risco de doença autoimune poderá ser, de acordo com os investigadores, o primeiro passo no desenvolvimento de terapias personalizadas.  
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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