Resposta do feto à insulina associada à sensibilidade da mãe

Estudo publicado na revista “Diabetologia”

28 março 2014
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Investigadores alemães defendem que a resposta cerebral do feto a uma dose de açúcar administrada oralmente à mãe está associada à sensibilidade da mãe à insulina, dá conta um estudo publicado na revista “Diabetologia”.

 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, sugere que o risco de obesidade e diabetes pode ser pré-programado no útero.

 

Estudos anteriores já tinham constatado que a diabetes ou a obesidade da mãe influenciam o desenvolvimento fetal e o desenvolvimento após o nascimento. As crianças de mães obesas ou com diabetes apresentam também um maior risco de diabetes tipo 2 e obesidade na idade adulta, uma associação que mostrou ser independente dos seus antecedentes genéticos.

 

Adicionalmente tem sido demonstrado que a prevalência da obesidade e diabetes tipo 2 está a aumentar em todo o mundo, bem a como a percentagem de jovens que são afetados por estas duas condições. Ainda não se sabe ao certo quais as razões destas alterações, mas acredita-se que é possível que os mecanismos ambientais e epigenéticos estejam envolvidos.

 

Neste estudo os investigadores pretenderam demonstrar que o metabolismo de uma mulher grávida, após uma refeição, influencia a atividade cerebral do feto. No total, 13 grávidas foram submetidas a uma prova de tolerância à glucose. A sensibilidade à insulina foi determinada através da medição da glucose e insulina aos 0, 60 e 120 minutos. Em cada um destes pontos a resposta do feto foi também analisada através das suas respostas cerebrais ao som.

 

O estudo apurou que 60 minutos após a realização do teste da glucose, as mulheres mais resistentes à insulina tinham fetos que reagiam mais lentamente ao teste de som. Quando as participantes foram divididas em dois grupos, que tiveram por base a sensibilidade à insulina, foi verificado que as mulheres resistentes à insulina tinham fetos que reagiam ao som, em média, na ordem dos 283 milissegundos, comparativamente com os 178 milissegundos dos fetos cujas mães eram sensíveis à insulina.

 

De acordo com os investigadores, estes resultados apoiam a hipótese já colocada há quase 50 anos pelo investigador Jørgen Pedersen. “É possível que as mães resistentes à insulina apresentem níveis mais elevados de glucose, acompanhados por um aumento dos níveis de insulina após a refeição. Uma vez que a glucose atravessa a placenta, este aumento dos níveis de glucose induz um excesso de insulina no feto”, referem os investigadores.

 

Os autores do estudo referem ainda que é possível que os níveis elevados de insulina sejam um pré-requisito para uma adequada maturação do cérebro, mas que estes níveis também possam, por outro lado, induzir a resistência à insulina no cérebro do feto.

 

De acordo com os investigadores, as diferenças nas respostas dos fetos ao som pode ser justificada pelo facto de a resistência da mãe à insulina estar associada a um transporte limitado de insulina para o cérebro do feto. Alternativamente, a resistência à insulina da mãe pode estar associada a vários efeitos hormonais e metabólicos que controlam a resposta cerebral do feto.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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