Resposta a um ataque químico demoraria entre 1 a 3 dias em Portugal
26 setembro 2001
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O único laboratório preparado para lidar com um ataque químico em Portugal tem uma capacidade de resposta que varia entre um e três dias, o que poderia ser tempo demais para evitar uma contaminação generalizada.
 

 

O INETI (Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial), através do Laboratório de Química Orgânica Analítica e de Síntese (LAQAS), é a única entidade nacional que participa em estudos interlaboratoriais internacionais de detecção de agentes de armas químicas interditos pela Convenção de Proibição de Armas Químicas.
 

 

 

Faltam recursos
 

 

No entanto, segundo investigadores do LAQAS, apesar de Portugal ter ratificado esta Convenção em 1996, não existem recursos humanos, financeiros ou logísticos para a implementar no terreno eficazmente.
 

 

Ou seja, existem actualmente entidades em Portugal cujo equipamento (usado no dia-a-dia para produzir, por exemplo, herbicidas) pode ser facilmente transformado para produzir armamento químico sem estarem sujeitas a qualquer controlo.
 

 

«Seria necessário fazer um levantamento a nível de todas as indústrias, laboratórios, unidades de investigação e hospitais portugueses», explicou Adriano Teixeira, director do LAQAS e, simultaneamente, membro do secretariado técnico da Autoridade Nacional para a Convenção de Proibição de Armas Químicas.
 

 

A Convenção, já ratificada por 143 países, define uma lista de produtos químicos e de substâncias orgânicas que necessitam de ser controladas desde a fase da produção até ao seu destino final (incluindo eventuais importações e exportações).
 

 

«Portugal está totalmente em falta no que diz respeito a esta determinação», sublinhou Maria João Marcelo Curto, representante do Ministério da Economia na Autoridade Nacional.
 

 

Consequências económicas
 

 

Anualmente, as empresas que trabalham com químicos deveriam fazer declarações dos produtos consumidos, produzidos, importados, exportados e, dependendo desses documentos, as instalações estariam sujeitas a inspecções internacionais.
 

 

O que os representantes da Autoridade Nacional mais temem não é que se esteja a produzir armamento químico «às escondidas» mas as consequências económicas que poderão advir do incumprimento.
 

 

A proibição de importar ou exportar certos produtos químicos de uso quotidiano nas indústrias são algumas das sanções possíveis.
 

 

Por exemplo, uma das matérias primas do gás mostarda, que pode ser preparado numa casa-de-banho, é o tiodiglicol, um solvente usado na tinta das esferográficas.
 

 

A inscrição de uma verba no Orçamento de Estado apenas para a criação de infra-estruturas para cumprir a Convenção ratificada (da ordem dos 30.000 contos por ano) é uma das exigências dos representantes da Autoridade Nacional.
 

 

Detectores
 

 

Além disso, estimam que para que existam condições de detecção eficazes e rápidas de agentes de armas químicas seria necessário um investimento da ordem dos 200.000 contos, nomeadamente para dotar o laboratório com detectores portáteis.
 

 

Este tipo de detectores, já utilizados noutros países, permitem confirmar no local a presença de um agente químico proibido.
 

 

Actualmente, na hipótese de um ataque químico num espaço fechado, o cenário mais temido, os técnicos do INETI habilitados teriam de se deslocar ao local, recolher amostras do ar e da água, voltar ao laboratório e identificar o agente químico, um processo que pode demorar entre um e três dias, e só depois disso se poderia proceder à descontaminação.
 

 

Máscaras de gás
 

 

As máscaras de gás, que para muitos se tornaram nos últimos dias quase um bem de primeira necessidade, têm sobretudo um efeito de «protecção psicológica», explicam os investigadores.
 

 

«A máscara protege apenas contra os neurotóxicos voláteis, como o gás sarin, e desde que não haja grandes concentrações», explicou Adriano Teixeira.
 

 

O gás de nervos sarin foi utilizado em 1995 no metro de Tóquio e provocou a morte a 11 pessoas, afectando mais de 5.500.
 

 

Além disso, não é muito viável utilizar uma máscara deste tipo 24 horas por dia e são actos como comer ou beber que se podem tornar os mais perigosos.
 

 

Se os neurotóxicos forem não voláteis ou se a forma de dispersão não for por via aérea estas máscaras são totalmente inúteis.
 

 

Na maioria dos casos, um banho de lixívia diluída em água pode ser o descontaminante adequado para remover os químicos e os microorganismos.
 

 

Fonte: Lusa

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