Resistência aos antibióticos e ao sistema imunitária está associada

Estudos do Instituto Gulbenkian de Ciência

01 julho 2016
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A resistência de bactérias aos antibióticos e ao sistema imunitário, que combatem infeções bacterianas, está interligada, dão conta dois estudos publicados nas revistas “Antimicrobial Agents and Chemotherapy” e “Evolutionary Applications”.
 

Os investigadores Paulo Durão e Ricardo Ramiro, do Grupo de Biologia Evolutiva, liderado por Isabel Gordo, descobriram que "a adaptação de bactérias ao sistema imune influencia o espetro de resistência a antibióticos", a ponto de as bactérias se tornarem "mais resistentes a alguns antibióticos, mas também mais sensíveis a outros", refere o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) em comunicado, ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

Os investigadores do IGC utilizaram como modelo de bactéria, estirpes benéficas da Escherichia coli (E. coli), que habita no intestino, mas em que "muitas mutações" genéticas que lhe dão resistência a antibióticos "são muito parecidas às que aparecem em bactérias patogénicas", que causam doenças como a tuberculose, explicou à agência Lusa Paulo Durão.
 

Os cientistas estudaram "a capacidade de bactérias resistentes a vários antibióticos de sobreviverem" na presença das células imunitárias que "respondem primeiro à infeção bacteriana", refere o IGC em nota. Estas células imunitárias conhecidas por macrófagos são capazes de reconhecer e matar microrganismos.

 

Paulo Durão começou por tentar perceber como uma bactéria multirresistente a um antibiótico se comporta em contacto com os macrófagos. Foram utilizadas estirpes de E. coli com mutações genéticas que lhe dão resistência aos antibióticos rifampicina e estreptomicina, em culturas de macrófagos de ratinhos. Verificou-se que estas bactérias sobreviviam melhor dentro dos macrófagos do que as bactérias não resistentes.
 

Ricardo Ramiro decidiu averiguar o que acontece quando as bactérias se tornam resistentes ao sistema imunitário.
 

Ricardo Ramiro quis saber o que acontece quando as bactérias se tornam resistentes ao sistema imunitário tendo para tal forçado estirpes de E. coli a evoluírem na presença de macrófagos. Verificou-se que as bactérias, "inicialmente sem qualquer resistência a antibióticos, tornaram-se mais resistentes a uma classe específica de antibióticos, os aminoglicósidos, e mais sensíveis a outras classes de antibióticos", nomeadamente as tetraciclinas.
 

No caso de as bactérias serem mais sensíveis a antibióticos significa que serão mais facilmente mortas por estes medicamentos. Ricardo Ramiro explicou à agência Lusa que o grupo observou que a população de bactérias E. coli diminuiu em ratinhos tratados com antibióticos para os quais essas bactérias eram mais sensíveis e, em contrapartida, aumentou quando os roedores receberam antibióticos para os quais as estirpes de E. coli eram mais resistentes.

 

De acordo com o investigador, o estudo pode dar pistas para se "tentar perceber qual é o antibiótico que funciona melhor, para tratar uma determinada infeção" bacteriana, atendendo ao aumento da resistência das bactérias aos antibióticos.

 

No futuro os investigadores vão tentar averiguar como as bactérias patogénicas, incluindo aquelas que provocam infeções pulmonares e urinárias, interagem com o sistema imunitário.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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