Resistência aos antibióticos associada à má governação e corrupção

Estudo publicado no jornal "PLOS ONE"

24 março 2015
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Parece pouco provável, mas investigadores garantem que a resistência aos antibióticos está associada à má governação e corrupção.
 
A crescente resistência aos antibióticos tem sido um fator de preocupação na comunidade médica. A Organização Mundial de Saúde mostra-se alarmada pelo facto de infeções absolutamente comuns e curáveis poderem vir a colocar pessoas em perigo de vida.
 
Peter Collignon, um investigador da Escola de Medicina da Universidade Nacional da Austrália (ANU, sigla inglesa), conduziu um estudo que sugere que se nos debruçarmos sobre a corrupção e o controlo de antibióticos poderemos diminuir a resistência aos antibióticos e, consequentemente, salvar vidas.
 
Esta conclusão irá certamente surpreender a maioria das pessoas no ramo da Medicina.
 
O estudo – que resultou de uma parceria entre a Escola de Medicina da ANU School e a Escola de Política Pública Crawford da ANU – avaliou a resistência aos antibióticos na Europa não só de uma perspetiva médica mas também político-económica.
 
Aparentemente, os níveis de resistência aos antibióticos de um país não estão relacionados com a sua riqueza.
 
Sanjaya Senanayake, co-autor do estudo, revela que os países com níveis mais elevados de corrupção normalmente apresentam processos menos transparentes e rigorosos e, por isso, têm menos controlo sobre áreas que têm impacto na resistência aos antibióticos.
 
Esses processos estão relacionados com o uso de antibióticos e a forma como bactérias resistentes aos antibióticos se transmitem através da água e da alimentação e na sequência de um fraco controlo de infeções.
 
Nos países que apresentam níveis mais elevados de corrupção, o uso de antibióticos é muito mais elevado que aquele que é registado. A equipa também constatou que nas áreas em que as pessoas mais recorriam ao setor privado da saúde, os níveis de resistência aos antibióticos eram mais elevados. O autor sugere que isto se deve ao facto de o setor privado não ser tão controlado no que diz respeito à quantidade e ao tipo de antibióticos que prescrevem. 
 
Os autores do estudo sugerem, assim, que se se apostar numa boa governação e no controlo da corrupção estaremos a contribuir para a diminuição dos níveis de resistência aos antibióticos, uma das grandes ameaças que a Medicina moderna enfrenta hoje em dia.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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