Resistência ao HIV e selecção natural

Uma mutação genética protege africanos do desenvolvimento de SIDA

30 maio 2001
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Em 1999, 20% ou mais dos adultos em várias regiões do sub-Sahara incluido o Botswana, a África do Sul, o Zimbabwe e o Zâmbia, foram infectados com o HIV. A probabilidade de um rapaz que tinha 15 anos em 1999 morrer de SIDA é de 65% na África do Sul e quase 90% no Botswana, assumindo que a actual taxa de infecção pelo HIV e mortalidade por SIDA não se alteraram.
 

 

Mas cada vez mais pessoas em África serão possuidoras de uma mutação genética que aumenta o intervalo entre a contracção do HIV e o desenvolvimento de SIDA, segundo previsões de um estudo recente realizado por cientistas norte-americanos e publicada na revista Nature (vol 411, p 545).
 

 

A alta incidência de SIDA nas regiões do sub-Sahara funciona como uma força de selecção natural, como uma pressão evolutiva.
 

 

O gene CCR5, cuja expressão leva à produção de um co-receptor das células imunitárias, é um de dois receptores necessários para a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Mutações que ocorrem neste gene podem auxiliar a infecção e acelerar o desenvolvimento de SIDA ou atrasar o desenvolvimento desta doença.
 

 

A mutação mais comum em África deste gene aumenta o intervalo entre a infecção pelo HIV e o desenvolvimento de SIDA numa média de 2-4 anos.
 

 

Se os indivíduos têm 2 cópias da mesma mutação (uma herdada de cada pai) então terão probabilidades muito baixas de serem infectados pelo HIV. Se forem possuidores de uma só cópia não estarão protegidos contra a infecção do HIV mas o desenvolvimento de SIDA será francamente retardado, comparando com pessoas sem as mutações.
 

 

Partindo do pressuposto de que os indivíduos com a mutação que os protege da infecção pelo HIV permanecem saudáveis até mais tarde, principalmente no período de reprodução, maior número de crianças irão nascer com os genes protectores e a probabilidade de receberem as duas cópias dos genes vai aumentando com o tempo.
 

 

Isto contrastando com o facto das pessoas com a mutação no mesmo gene que acelera o desenvolvimento de SIDA terem menores probabilidades de se manterem saudáveis durante mais tempo e de se reproduzirem. Estas pessoas terão, portanto, em termos estatísticos, menor número de crianças.
 

 

Os investigadores prevêem que, daqui a 100 anos, um pouco mais de metade dos africanos terão uma mutação no gene CCR5 que atrasa o desencadear de SIDA.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters Health

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