Resistência a antibióticos mais preocupante do que nunca

Conclusões de um estudo conduzido pelo Wyss Institute

14 junho 2013
  |  Partilhar:

Um novo estudo conduzido por uma equipa de investigadores do Wyss Institute, nos EUA, revelou que, quando estão a ser atacadas pelos antibióticos, as bactérias do sistema digestivo possuem aliados que até agora não tinham sido descobertos.
 

Publicado na revista “Nature”, o estudo descreve que os vírus presentes no sistema digestivo, denominados bacteriófagos ou fagos, ajudam as bactérias a sobreviver, tanto ao antibiótico ao qual as mesmas estão a ser expostas, como a outros tipos de antibióticos.
 

Isto poderá significar que os bacteriófagos presentes no sistema digestivo poderão ser parcialmente responsáveis pelo surgimento das perigosas superbactérias, que são bactérias que resistem a múltiplos antibióticos.“Estes resultados significam que a situação da resistência aos antibióticos é ainda pior do que pensávamos”, afirma Jim Collins, autor líder do estudo e pioneiro de biologia sintética, e membro da Core Faculty do Wyss Institute for Biologically Inspired Engineering.

 

Cada vez mais, assiste-se à emergência de bactérias causadoras de doenças que conseguem adaptar-se rapidamente aos antibióticos, antes que os cientistas consigam desenvolver novos fármacos para as matar, criando assim uma séria ameaça à saúde pública. Os pacientes hospitalizados com problemas graves e infeções bacterianas tendem a permanecer cada vez mais tempo no hospital e a correr mais riscos de vida. Adicionalmente, assiste-se a uma falha cada vez maior dos fármacos de primeira linha, o que significa que é necessário recorrer a tratamentos mais caros, o que representa gastos adicionais para a saúde.
 

A equipa decidiu determinar se o tratamento com antibióticos conduzia os bacteriófagos presentes no sistema digestivo a adquirirem mais genes resistentes ao fármaco e, em caso afirmativo, se isso tornava as bactérias do sistema digestivo mais fortes.
 

A equipa descobriu que, em ratinhos tratados com antibióticos, os bacteriófagos exibiam um número significativamente superior de genes de resistência bacteriana a fármacos. Os cientistas descobriram também que os bacteriófagos dos ratinhos tratados com ampicilina apresentavam mais genes que ajudavam as bactérias a combater a ampicilina e fármacos semelhantes, ao passo que os ratinhos tratados com ciprofloxacina apresentavam mais genes que ajudavam no combate contra a ciprofloxacina e semelhantes.
 

Os bacteriófagos fizeram mais do que desenvolver genes resistentes a fármacos. Conseguiram também transferi-los para as bactérias do sistema digestivo, que é um passo necessário para a resistência aos fármacos.
 

Don Ingber, Diretor Fundador do Wyss Insitute conclui que “a resistência aos antibióticos é um problema de saúde global premente e para lutar contra o mesmo é necessário percebê-lo”. “Estas novas descobertas oferecem uma forma até agora desconhecida de abordar este problema ao incidir-se sobre o fago que vive no intestino, em vez de nos próprios patogénios”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.