Residentes nas cidades correm mais riscos de terem esquizofrenia

Conclui estudo

23 novembro 2001
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As pessoas que nascem e são criadas nas cidades podem correr riscos acrescidos de desenvolverem esquizofrenia. Esta é a conclusão do estudo realizado por Carsten Bocker e Preben Bo Mortensen, investigadores no Departamento de Psiquiatria Demográfica da Aahus University, na Dinamarca.
 

 

De acordo com o estudo, as pessoas que passaram os primeiros quinze anos de vida numa área altamente urbanizada são cerca de três vezes mais propensas a apresentarem esquizofrenia, comparativamente às que cresceram em regiões rurais.
 

 

Quando compararam casos em que o histórico familiar desta doença era relevante com casos de pessoas esquizofrénicas sem familiares doentes, os investigadores constataram que os factores ambientais desempenham um papel muito importante no desenvolvimento desta doença.
 

 

«No geral, quanto mais anos se vive em numa área com elevado grau de urbanização, maior é o risco de esquizofrenia», ralatam Carsten Bocker e Preben Bo Mortensen, no artigo publicado na edição de novembro da revista Archives of General Psychiatry.
 

 

Estas descobertas vêm confirmar um estudo anterior que demonstrou a existência de riscos elevados de distúrbios psicóticos em adultos que habitam nas cidades. Um outro estudo, também referido no artigo publicado online, refere que o desenvolvimento de distúrbios psicóticos e de sintomas semelhantes aos das psicoses, como mania da perseguição ou alucinações auditivas, são mais comuns entre os habitantes das áreas urbanas.
 

 

Os autores deste estudo não encontram explicações para estes factos mas sugerem que factores como complicações no nascimento, regime alimentar, exposição a materiais tóxicos e a infecções podem contribuir para o agravamento dos riscos de evolução de sintomas de esquizofrenia. Outros especialistas pensam ainda que certas infecções ocorridas durante a infância tornam o cérebro mais susceptível, durante o seu desenvolvimento, à esquizofrenia.
 

 

No artigo, os investigadores realçam que estas descobertas carecem de uma revisão mas garantem que a exposição, durante o crescimento, contínua ou repetida a ambientes urbanos é responsável pela associação entre a residência em áreas urbanas e o risco elevado de esquizofrenia.
 

 

Os cientistas constataram que os indivíduos residentes em áreas urbanas desde o seu nascimento são mais propensos a apresentarem um diagnóstico de esquizofrenia do que os indivíduos que nasceram e cresceram em áreas rurais. O risco de esquizofrenia foi tanto maior quanto maior o número de anos vividos nas áreas urbanas. No entanto, a mudança de residência, entre os 5 e os 15 anos, para uma zona mais rural diminui esse risco.
 

 

Este trabalho resulta do estudo de cerca dois milhões de dinamarqueses residentes em várias cidades cujo «índice de urbanização» foi classificado de acordo com o número de habitantes, taxa de urbanização e, também, de acordo com a importância geográfica (centro urbano, cidade de subúrbio ou cidade rural)
 

 

Mas mudar de residência não chega: os investigadores depararam-se com casos em que as crianças mudaram de residência para uma zona mais rural mas continuaram a frequentar a mesma escola e verificaram que o risco de sofrer desta doença não diminuiu.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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