Reparação de aneurisma da aorta pode beneficiar pacientes de elevado risco

Estudo publicado no “Journal of Vascular Surgery”

19 março 2015
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Um novo estudo descobriu que a cirurgia minimamente invasiva pode evitar a rutura fatal de um aneurisma da aorta abdominal, mesmo no caso de pacientes de elevado risco, ou seja, aqueles que possuem fatores de risco como idade avançada, diabetes, consumo de tabaco e doença renal.
 
O aneurisma da aorta abdominal (AAA) é uma dilatação da artéria aorta, o maior vaso sanguíneo que se estende ao longo do abdómen. Os aneurismas mais volumosos são potencialmente fatais, uma vez que podem romper-se subitamente e provocar graves hemorragias internas.
 
O procedimento minimamente invasivo é denominado reparação endovascular de aneurisma (EVAR, sigla inglesa) e consiste na colocação, através de um cateter, de uma endoprótese (stent graft) em forma de tubo com rede metálica. Desta forma, o sangue flui normalmente através da endoprótese em vez de o fazer através do aneurisma. Este procedimento é muito menos invasivo do que a tradicional cirurgia aberta.
 
No entanto, nem todos os pacientes de elevado risco beneficiam desta intervenção, como é o caso de doentes oncológicos, revela o estudo. A decisão de realizar o procedimento “deve ser individualizada, dependendo do número e gravidade dos fatores de risco”, declara uma das autoras do estudo, Pegge Halandras, do Centro Médico da Universidade de Loyola, nos EUA.
 
Neste estudo participaram 247 indivíduos com AAA localizado abaixo dos rins, submetidos a EVAR no Centro Médico da Universidade de Loyola e no Hospital Edward Hines, Jr. VA. Calculado o risco dos pacientes em relação à cirurgia, 172 foram classificados como pacientes de risco normal e 75 como pacientes de elevado risco. Ao fim de um ano, 85% dos pacientes de elevado risco encontravam-se vivos e, ao final de quatro anos, essa percentagem era de 65%. Embora estes resultados sejam inferiores àqueles registados em pacientes com risco considerado normal para a cirurgia, com uma taxa de sobrevivência de 93% após quatro anos da intervenção, são bastante melhores do que os 36% relatados num estudo anterior denominado EVAR-2. O EVAR-2 consistiu num ensaio prospetivo aleatorizado que comparou os resultados da EVAR em relação à gestão médica de pacientes de elevado risco.
 
O estudo desenvolvido pelos investigadores da Universidade de Loyola demonstrou pela primeira vez que ao optar pela EVAR, o fator de risco com maior capacidade para prever a mortalidade foi o tratamento para cancro, seguido de dependência de oxigénio no domicílio, idade avançada, doença renal avançada (estádio 4 ou 5) e insuficiência cardíaca congestiva.
 
A investigação, contudo, sugere que a EVAR não deve ser recomendada a pacientes com quatro ou mais fatores de risco. No caso de pacientes com dois ou três fatores de risco, a decisão deverá ser individual, comparando os riscos da EVAR com os do tratamento sem cirurgia. Para pacientes com um ou nenhum fator de risco, a EVAR pode ser recomendada com perspetivas de sucesso. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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