Rendimento familiar tem impacto no desenvolvimento do cérebro

Conclusões de um novo estudo publicado no “Nature Neuroscience”

07 abril 2015
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Os investigadores desde sempre suspeitaram que o comportamento e as capacidades cognitivas de uma criança estavam associadas ao seu estatuto socioeconómico. Essa associação nunca foi tão clara como agora.
 
Um novo estudo, liderado por Kimberly G. Noble, da Universidade de Columbia, e Elizabeth Sowell, do Hospital Pediátrico de Los Angeles, EUA, conclui que as circunstâncias socioeconómicas de uma criança podem ter impacto na estrutura do cérebro.
 
O estudo incluiu 1.099 participantes inscritos no estudo de “Imagiologia Pediátrica, Neurocognição e Genética” (PING, sigla inglesa de “Pediatric Imaging, Neurocognition, and Genetics”).
 
O cérebro dos participantes foi avaliado com recurso a Imagem por Ressonância Magnética (IRM) e os dados socioeconómicos – tais como o nível de formação dos pais e o rendimento do agregado familiar – foram recolhidos através de questionários.
 
Os resultados foram surpreendentes, pois revelaram que o rendimento estava relacionado de forma não linear com a superfície cerebral.
 
Kimberly G. Noble afirma terem sido encontradas grandes diferenças na superfície cerebral de crianças oriundas de famílias com rendimentos mais baixos em várias regiões do cérebro que estão associadas a competências essenciais para o sucesso académico.  
 
Pelo contrário, quanto mais elevado era o rendimento familiar, menos diferenças se encontravam na superfície cerebral das crianças.  
 
Se pensarmos que a nutrição, os cuidados de saúde, a escola, as atividades de lazer e até a qualidade do ar estão associadas à capacidade financeira de uma família, é fácil perceber como todos estes fatores podem ter impacto no desenvolvimento do cérebro.
 
Um estudo anterior conduzido por investigadores da Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, também já tinha demonstrado que crianças oriundas de famílias mais pobres apresentavam menos massa cinzenta. A massa cinzenta é um tecido cerebral fundamental para o processamento de informação e execução de ações. 
 
De acordo com os autores do estudo, seria importante aprofundar este tipo de investigação e explorar agora outras questões, como, por exemplo, se alterações no ambiente da criança, promovidas por políticas sociais com vista a combater a pobreza, poderiam ter um impacto positivo na trajetória do desenvolvimento cerebral.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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