Remoção dos resíduos de células tumorais melhora tratamento convencional do cancro

Estudo publicado na revista “The Journal of Experimental Medicine”

07 dezembro 2017
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Uma equipa de investigadores descobriu uma nova forma de se potenciar a eficácia dos tratamentos convencionais para o cancro existentes e, potencialmente, evitar a recorrência de tumores.
 
Ao exterminarem as células tumorais, os tratamentos convencionais para o cancro, como a quimioterapia e a radioterapia, produzem também resíduos de células tumorais. Estes resíduos podem estimular a inflamação e o crescimento tumoral.
 
Num estudo conduzido por investigadores do Hospital Brigham and Women’s, EUA e colegas, foi observado que as moléculas conhecidas como resolvinas conseguem bloquear a resposta inflamatória indesejada. 
 
Quando os tratamentos convencionais para o cancro desagregam os tumores, podem espalhar-se e estimular a produção de moléculas conhecidas com citocinas pro-inflamatórias. Estas moléculas são promotoras do crescimento tumoral e foram a base da investigação.
 
Para o estudo, a equipa administrou fármacos de tratamento em células cancerígenas cultivadas em laboratório e recolheu os resíduos resultantes. Depois injetaram os resíduos com algumas células cancerígenas que não se estavam a desenvolver e observaram que os resíduos estimularam o crescimento das células.
 
Num ensaio semelhante, a equipa tratou ratinhos com fármacos quimioterápicos para obter resíduos in vivo, dando força à conclusão que os resíduos ajudavam as células cancerígenas sobreviventes a replicarem-se. A equipa concluiu que um lípido – a fosfatidilserina – estimulava as células imunitárias a produzirem uma “tempestade de citocinas” quando era exposto a células cancerígenas.
 
A equipa especulou então que se os resíduos gerados pelos fármacos promoviam o crescimento tumoral, limpar os resíduos talvez travasse esse processo. Portanto, foram usadas as resolvinas que agem como sinais para travar a inflamação, e verificou-se que as resolvinas combatem as citocinas pro-inflamatórias e estimulam o sistema imunitário, incluindo os macrófagos, a remover os resíduos.
 
As resolvinas são bio-sintetizadas pelo organismo a partir dos ácidos graxos essenciais ómega-3 e constituem uma nova abordagem na prevenção da “tempestade de citocinas”, em vez de bloquearem apenas um fator pro-inflamatório.
 
A equipa observou que o tratamento de ratinhos com pequenas quantidades de resolvinas fez inibir o crescimento tumoral promovido pelo tratamento ao cancro e evitou que as células cancerígenas se espalhassem, fazendo daquelas moléculas uma abordagem terapêutica muito promissora. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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