Remoção do apêndice e das amígdalas pode aumentar risco de enfarte prematuro

Estudo publicado no “European Heart Journal”

06 junho 2011
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A remoção cirúrgica do apêndice e das amígdalas antes dos 20 anos está associada a um maior risco de enfarte do miocárdio prematuro, aponta um estudo realizado na Suécia e publicado no “European Heart Journal”.

 

De acordo com o estudo, liderado por Imre Janszky, do departamento de saúde pública do Instituto Karolisnka, em Estocolmo, a amigdalectomia (remoção das amígdalas) aumentou o risco de enfarte do miocárdio prematuro até 44% e a apendicectomia (remoção do apêndice) até 33%. O risco foi ainda maior quando ambas as operações foram realizadas na mesma pessoa.

 

Os dados são significativos apenas do ponto de vista estatístico, já que os jovens apresentam um risco menor para problemas cardíacos. No entanto, o trabalho não encontrou associação de risco evidente quando os procedimentos foram realizados em pessoas com mais de 20 anos.

 

Tanto o apêndice, como as amígdalas, são órgãos linfóides, que fazem parte do sistema imunológico, mas com uma importância modesta no organismo. A recorrência de amigdalites ou apendicite – causadas por infecção – são um dos motivos habituais para cirurgia de remoção. Contudo, alguns estudos evidenciam que a remoção destes dois órgãos podem ter efeitos moderados a longo prazo sobre o sistema imunológico, alterando o risco para doenças auto-imunes, por exemplo.

 

“Dadas as forte evidências biológicas e epidemiológicas que relacionam a inflamação com a doença cardíaca coronária, podemos dizer que a remoção cirúrgica das amígdalas e do apêndice, com os seus consequentes efeitos sobre a imunidade, também poderão ter um efeito a longo prazo sobre a doença cardíaca coronária”, disse, em comunicado de imprensa, o líder da investigação, Imre Janszky.

 

O estudo analisou os registos nacionais de saúde de cada cidadão sueco nascido entre 1955 e 1970, identificando quem foi submetido a remoção das amígdalas e/ou do apêndice. Uma vez que o apêndice e as amígdalas parecem ter uma função reduzida após a adolescência, as análises preliminares foram restritas a indivíduos com idade inferior a 20 anos na época da cirurgia, tendo sido contabilizadas 54.449 apendicectomias e 27.284 amigdalectomias. Todos os indivíduos foram acompanhados durante uma média de 23,5 anos para a verificação cruzada de ocorrência de enfarte agudo do miocárdio fatal e não fatal.

 

Os resultados mostram que estes casos tiveram maior prevalência de enfarte agudo do miocárdio do que os casos do grupo de controlo. Em comunicado de imprensa, os investigadores explicam que os resultados indicam que a remoção dos órgãos linfóides secundários afecta vários aspectos da actividade imunológica, incluindo a diminuição de imunoglobulinas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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