Remoção das amígdalas e das adenoides melhora controlo da asma

Estudo publicado na revista “PLOS Medicine”

07 novembro 2014
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A remoção cirúrgica das amígdalas e das adenoides nas crianças que sofrem de apneia de sono está associada a uma diminuição da severidade da asma, defende um novo estudo publicado na revista “PLOS Medicine”.
 

A apneia obstrutiva do sono é uma condição comum que envolve a inflamação das amígdalas e das adenoides resultando no estreitamente das vias respiratórias superiores, que colapsam episodicamente durante a noite. Este processo afeta a respiração e interrompe o sono centenas de vezes por noite. A adenoamigdalectomia, remoção cirúrgica das amígdalas e das adenoides, é o tratamento habitual para estas condições.
 

“Vários estudos de pequenas dimensões já tinham associado a apneia obstrutiva do sono à asma, duas condições inflamatórias comuns que afetam a respiração das crianças. No entanto, queríamos testar a força desta associação através de um estudo de maiores dimensões”, revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Rakesh Bhattacharjee.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Chicago, nos EUA, contaram com a participação de 40.000 crianças com idades compreendidas entre os três e os 17 anos. Foram incluídas 13.506 crianças com asma que tinham sido submetidas à adenoamigdalectomia para o tratamento da apneia de sono obstrutiva. Os sintomas de asma foram comparados um ano antes e um ano após a cirurgia. Estes resultados foram ainda comparados com 27.012 crianças com asma que não tinham sido submetidas à cirurgia.
 

O estudo apurou que a adenoamigdalectomia conduziu a melhorias significativas em várias medidas chave. Nas crianças que foram submetidas a este tipo de cirurgia, a frequência dos episódios agudos de asma que não respondiam ao tratamento diminui cerca de 38% um ano após a cirurgia. Nas crianças que não foram submetidas à adenoamigdalectomia houve apenas uma diminuição de 7% na frequência deste tipo de ataques de asma.
 

Relativamente às exacerbações da asma aguda, estas diminuíram 30% um ano após a cirurgia. Nas crianças que não foram operadas houve apenas uma diminuição de 2% nas exacerbações. Verificou-se também que as crianças que removeram as amígdalas e as adenoides tiveram uma redução na ordem dos 36% nas hospitalizações associadas à asma e uma diminuição de 26% nas consultas de urgência motivadas pela asma. Estas reduções não foram tão significativas nas crianças que não realizaram este tipo de tratamento.
 

Os investigadores verificaram ainda que a incidência de eventos associados à asma, como broncosespasmos agudos e sibilâncias, apenas diminuíram nas crianças submetidas à cirurgia.
 

De acordo com os autores do estudo, estes resultados reforçam a associação entre a apneia obstrutiva do sono e o agravamento da asma. “Isto ajudará os médicos a apostar mais na intervenção cirúrgica, não só para erradicar os problemas respiratórios do sono como também para reduzir a severidade de asma e diminuir a dependência da toma de medicamentos nas crianças asmáticas”, conclui Rakesh Bhattacharjee.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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