Relógios biológicos: é possível acertá-los?

Estudo publicado no “The FASEB Journal”

20 janeiro 2015
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Investigadores do Canadá identificaram novos alvos terapêuticos que podem melhorar a sincronização dos diferentes relógios biológicos, dá conta um estudo publicado no “The FASEB Journal”.
 

As alterações fisiológicas que ocorrem ao longo do dia são reguladas por um sistema circadiano que inclui um relógio central localizado no cérebro e múltiplos relógios que se encontram em diferentes locais do organismo.
 

Uma vez que os humanos são fundamentalmente criaturas diurnas, ficar acordado à noite pode afetar significativamente todos os relógios biológicos internos. Estas alterações podem, ao longo do tempo, conduzir a um aumento da incidência de vários problemas de saúde como problemas metabólicos e cardiovasculares, ou mesmo ao desenvolvimento de alguns cancros.
 

Os problemas de adaptação aos horários de trabalho atípicos são uma questão importante para a sociedade. Estudos anteriores, realizados pela mesma equipa de investigadores, demonstraram que a dessincronização dos relógios biológicos altera o sono, o desempenho e os parâmetros cardíacos dos indivíduos que trabalham por turnos. Contudo, na opinião da líder do estudo, Diane B. Boivin, as atuais abordagens para estes problemas têm limitações significativas.
 

Estudos realizados em animais demonstraram que o relógio central envia sinais para os relógios presentes nos outros órgãos e que a transmissão destes sinais parecia estar dependente da ação dos glucocorticoides. Contudo, até à data, ainda não tinha sido provado que os glucocorticoides estavam também envolvidos na transmissão dos sinais nos humanos.
 

Neste estudo, os investigadores do Instituto Universitário de Saúde Mental Douglas e da Universidade da McGill, no Canadá, contaram com a participação de 16 voluntários, os quais foram colocados em câmaras de isolamento e analisados. Verificou-se que os relógios biológicos periféricos localizados nos leucócitos podem ser sincronizados através da administração de glucocorticoides.
 

De acordo com os investigadores, este tipo de células imunitárias está envolvido na reação do organismo contra ataques de muitos patogénios. Este estudo sugere assim que os ritmos biológicos podem ter um papel importante no controlo da função imune nos indivíduos que trabalham por turnos.
 

Os autores do estudo referem ainda que esta descoberta abre portas ao desenvolvimento de terapias inovadoras que poderiam atuar em diferentes partes do sistema circadiano, podendo os ritmos ser ajustados para horários de sono invertidos.
 

Este estudo tem aplicações possíveis nos viajantes, nos indivíduos que trabalham por turnos, nos pacientes que sofrem de distúrbios do sono e distúrbios do ritmo circadiano, assim como pessoas com vários transtornos psiquiátricos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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