Relógio circadiano controla insulina e glucose no pâncreas

Estudo publicado na revista “Science”

12 novembro 2015
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Investigadores americanos descobriram milhares de vias genéticas no relógio interno do organismo que ditam como e quando o pâncreas tem de produzir insulina e controlar os níveis de glucose no sangue. O estudo publicado na revista “Science” pode possivelmente conduzir ao desenvolvimento de novas terapias para as crianças e adultos com diabetes.
 

Os relógios circadianos do organismo controlam comportamentos como comer e dormir, assim como atividades fisiológicas como o metabolismo. Existe um relógio principal no cérebro, assim como relógios periféricos nos vários órgãos. No entanto quando a genética, o ambiente ou o comportamento afetam a sincronização destes relógios, podem-se desenvolver doenças metabólicas.
 

Num estudo anterior, os investigadores da Universidade de Northwestern, nos EUA, já tinham demonstrado que um relógio circadiano no pâncreas é essencial para a regulação da secreção da insulina e equilíbrio dos níveis de glucose em ratinhos. Os investigadores demonstraram que a eliminação dos genes do relógio conduziam à obesidade e diabetes tipo 2.
 

“Sabíamos que o pâncreas não funcionava se retirássemos estes genes do relógio, mas não sabíamos como os genes estavam a afetar o normal funcionamento do pâncreas”, revelou, em comunicado de imprensa um dos autores do estudo, Joe Bass.
 

Os genes do relógio são responsáveis pela produção de fatores de transcrição, proteínas especiais que ajudam a informar a célula como ela deve funcionar.
 

Neste novo estudo, os investigadores identificaram milhares de genes no pâncreas que controlam os fatores de transcrição do relógio ao ritmo da rotação diária do planeta, desde a luz à escuridão.
 

"Estabelecemos um novo mapa genético que mostra como um repertório inteiro de fatores produzidos no pâncreas mantêm e antecipam as mudanças diárias no ambiente externo. Estes fatores estão todos ligados à rotação da Terra, ao mecanismo de cronometragem que evolui para controlar quando dormimos, acordamos, comemos e armazenamos nutrientes todos os dias”, explicou o investigador.
 

Os investigadores focaram-se em células no pâncreas denominadas por células beta, que secretam insulina na corrente sanguínea, para ajudar o organismo a absorver glucose e utilizá-la como energia. Através de análises genéticas específicas nas células beta com genes do relógio intactos ou alterados, os investigadores foram capazes de fazer um mapa dos fatores de transcrição e genes.
 

“Este estudo reforça a ideia de que os relógios que operam nas células são fundamentais para a saúde. Eles representam um importante alvo para melhorar as funções das células no pâncreas”, conclui Joe Bass.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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