Religião e saúde

Médicos devem dar atenção à espiritualidade dos pacientes

15 julho 2003
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Se a fé ajuda a superar muita coisa, a doença é um período particular para nos socorrermos de todas as forças interiores. Deste modo, indica uma pesquisa feita nos EUA, os médicos deveriam pensar em levar em consideração as crenças espirituais dos pacientes.
 

 

Segundo Mark Su, da Universidade Tufts, em Boston (Massachusetts), 94 por cento dos norte-americanos acreditam em Deus ou num «poder superior» e a maioria afirma que a religião é «bastante» ou «muito» importante nas suas vidas.
 

 

Entretanto, os médicos norte-americanos estão menos propensos a acreditar em Deus -- apenas 64 por cento em comparação a 91 por cento --, segundo dados do inquérito.
 

Para o especialista, os pacientes estão mais propensos a querer discutir assuntos espirituais que os médicos. Segundo a pesquisa, um grande número de pacientes gostaria que os médicos rezassem com eles.
 

 

O investigador passou a pente fino a literatura sobre religião e saúde, especificamente estudos relacionadas com religião judaico-cristã. Esta escolha foi feita em função do grande número de estudos disponíveis sobre este grupo em comparação a outras religiões. «Além de sua pertinência relevante entre a maioria dos cidadãos norte-americanos», justificou o autor.
 

 

Dos 212 estudos que avaliaram os efeitos dos compromissos religiosos sobre os resultados de saúde, 75 por cento apresentaram um benefício positivo, 17 por cento tiveram resultados confusos ou não apresentaram efeito e sete por cento apresentaram um efeito negativo.
 

 

Os efeitos positivos da religião foram encontrados na maioria dos estudos sobre uso de drogas, capacidade de adaptação, depressão, alcoolismo, ajuste conjugal, satisfação com a vida, ansiedade e actividade sexual extra ou pré-conjugais.
 

 

Para o investigador não pode especular sobre a possibilidade da saúde ser promovida pela religião em si ou pelos comportamentos saudáveis que as pessoas religiosas são estimuladas a ter. É que, adianta Su, para alguns investigadores, as pessoas mais religiosas são desmotivadas a beber ou fumar, mas outros acham que os benefícios à saúde são consequência de sentimentos de paz e uma sensação de determinação, confiança e identidade que a religião pode promover.
 

 

Na opinião de Su, levar em consideração as crenças espirituais dos pacientes pode reforçar a relação entre médico e paciente. «A maioria dos médicos está preocupada com a possibilidade de ultrapassar os limites se abordar as crenças espirituais. Para mim, é como discutir o uso de álcool ou tabaco. Encaro como parte do facto de estar interessado no que acontece na vida do doente», disse o especialista.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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