Relatório defende adequação das condições de trabalho e estado de saúde dos portadores de sida

Relatório Diagnóstico da Infecção VIH/SIDA: representações e efeitos nas condições laborais

29 julho 2011
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Um relatório sobre a situação laboral dos portadores de VIH/SIDA defende a promoção de condições para a permanência efectiva dos trabalhadores infectados e aponta como “fundamental” a adequação entre as condições de trabalho e o estado de saúde.

 

O documento, “Diagnóstico da Infecção VIH/SIDA: representações e efeitos nas condições laborais”, resulta de um inquérito a 1.634 portadores da doença, entre finais de 2009 e meados de 2011, trabalho resultante de um protocolo assinado entre a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA, o Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

 

Os investigadores apontam que o mundo do trabalho “tem que promover condições para uma permanência efectiva” dos trabalhadores com VIH/SIDA e que as dificuldades sentidas no local de trabalho por estas pessoas “devem ser entendidas e tratadas como todas as outras que decorrem de qualquer outro problema de saúde”.

 

“O absentismo e a falta de pontualidade, por exemplo, não podem ser usados como factores de despedimento, até porque nem sempre têm impacto directo na produtividade destas pessoas”, lê-se no relatório.

 

Acrescentam que é também “fundamental a adequação das condições de trabalho ao estado de saúde e às necessidades dos portadores do vírus de forma a evitar o seu despedimento por desajuste entre as exigências da profissão e as suas possibilidades em termos de saúde”.

 

De acordo com os investigadores, isso passa pela criação de condições físicas no posto de trabalho, entre casas de banho ou espaços para tomar a medicação ou as refeições, e de condições de acesso aos serviços de saúde “sem prejuízo da produtividade e qualidade de trabalho realizado”.

 

Consequentemente, os investigadores deixam recomendações para práticas concertadas de intervenção ao nível do contexto e ao nível do indivíduo.

 

Em relação ao contexto, propõe, por exemplo, o acompanhamento da inserção ou reinserção no mercado de trabalho dos portadores do vírus, a inclusão dos portadores do vírus em equipas ou instituições de apoio locais ou a promoção de um modelo de serviço social e de saúde mais abrangente para os trabalhadores com VIH/SIDA.

 

Defendem igualmente uma intervenção junto dos empregadores ao nível da sensibilização para a discriminação, da melhoria das condições de trabalho ou do desenvolvimento de acções de formação sobre as formas de transmissão do vírus.

 

Por outro lado, ao nível pessoal, sugerem o acompanhamento por profissionais especializados quando a exclusão destas pessoas é acompanhada de sentimentos de medo, frustração ou vergonha; promoção de formação profissional para os portadores do vírus ou apoio social e financeiro.

 

Sobre este último aspecto, os investigadores constataram que da amostra total de inquiridos, apenas 25,9 por cento beneficia de apoios sociais como consequência da infecção.

 

“Contrariamente, a maioria dos indivíduos infectados cuja fonte de rendimento provém do trabalho (85 por cento) não usufrui de qualquer apoio da Segurança Social. É também entre os que trabalham que se observa que, apesar de terem requerido apoios sociais, estes não lhes foram concedidos (32,8 por cento).
 

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