Relação médico-paciente: falta de tempo e a baixa participação do doente

Livro lançada pelo coordenador da Escola Superior de Enfermagem do Porto

23 agosto 2016
  |  Partilhar:

A falta de tempo e a pouca participação dos pacientes nos seus processos clínicos são as principais dificuldades na relação entre os utentes e os profissionais de saúde identificadas num livro sobre comunicação clínica.
 

O livro intitulado “Comunicação clínica e relação de ajuda” é da autoria de Carlos Sequeira, coordenador da Escola Superior de Enfermagem do Porto, para quem é importante preservar “o lado humano da relação (profissional de saúde-utente)”.
 

Carlos Sequeira referiu à agência Lusa que nem sempre é fácil e que a falta de tempo e a pouca participação dos doentes na discussão dos seus processos clínicos são os principais obstáculos a esta comunicação.
 

“É preciso sensibilizar os profissionais para a importância da comunicação”, referiu, reconhecendo que “o tempo não chega para tudo”.
 

“Quando um médico tem cinco minutos para uma consulta, só um diagnóstico adequado leva mais que isso e a comunicação acaba por ficar prejudicada”, adiantou.
 

Carlos Sequeira referiu que há temas e notícias que são mais difíceis de dar, mas recordou que para as mesmas existem normas, inclusive internacionais, como, por exemplo, para comunicar a alguém que tem cancro.
 

“Há muitas coisas simples que se podem fazer e que são importantes do ponto de vista clínico e sem custos, como tratar o doente pelo seu nome”, disse. Por outro lado, os profissionais de saúde nem sempre se identificam devidamente, explicando ao doente o que são e qual a sua função.
 

Carlos Sequeira refere que os profissionais têm uma certa “postura altiva” que leva a que estes prestem pouca informação ao doente, mas identifica algumas causas possíveis para esta atitude, como evitarem um envolvimento maior com o doente e as suas famílias.
 

“As pessoas hoje reivindicam mais a informação. Dantes, em Portugal, eram poucos os doentes que queriam saber do seu processo clínico”, acrescentou, recordando que “a informação é do doente”.
 

No livro podem ler-se formas de procedimento que o profissional deve ter, como no início da consulta “receber o paciente à porta, cumprimentar o doente, saber qual o nome pelo qual o paciente quer ser chamado, apresentar-se (nome e profissão), garantir que o doente está confortável”.

 

Introduzir um tema neutro para facilitar a interação e reduzir a ansiedade, analisar as preocupações do paciente, identificar os principais motivos da consulta ou as principais queixas, explicar os objetivos e o procedimento da consulta e obter o consentimento para se realizar a consulta são algumas das ideias escritas nesta obra e que se recomendam ao profissional de saúde para o início de uma consulta.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.