Relação médico-paciente é afectada pela Internet?
17 dezembro 2001
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Ninguém duvida do contributo da Internet na facilidade do acesso à informação. Os temas relacionados com a de saúde são dos mais procurados pelas pessoas que visitam a Web e temia-se que este facto viesse a contribuir para diminuir a confiança dos pacientes nos seus médicos. No entanto, não é isso que se verifica.
 

 

De facto, os doentes procuram cada vez mais informações na Web, mas isso não parece influenciar o relacionamento e a confiança que sentem no seu médico. No estudo conduzido por Lilian L. Siu, professora assistente de medicina da Universidade de Toronto e oncologista do Hospital Princess Margaret, em Toronto (Canadá), verifica-se que apesar da crescente procura de informações de saúde na Internet, o relacionamento médico/paciente não é prejudicado.
 

 

A única diferença é que os doentes estão mais informados sobre a sua doença e isso é particularmente evidente nos doentes com cancro. Segundo as declarações da principal autora do estudo à Reuters Health, «verifica-se que os doentes são cada vez mais e mais activos; eles confiam nos seus médicos mas querem saber mais.»
 

 

De certa forma, esta procura exterior de informação deve-se ao facto dos médicos estarem tão ocupados com o trabalho que não passam todas as informações que os pacientes gostariam de obter.
 

 

As revelações do estudo
 

 

O trabalho de Siu baseou-se numa investigação com 410 oncologistas e 191 doentes com cancro para avaliar se o uso de outras fontes de informação tem algum impacto quer na relação entre o médico e o paciente, quer nas decisões do paciente relativamente ao tratamento proposto pelo seu médico. Os resultados desta investigação foram publicados na primeira edição de Dezembro do Journal of Clinical Oncology.
 

 

Este estudo permitiu verificar que 54% dos doentes com cancro não se sentem satisfeitos com as informações dadas pelos seus médicos e, destes, 71% procuram obter informações adicionais sobre a sua doença em outras fontes. Dos que procuram informações noutras fontes, 50% dos doentes recorrem à Internet. No entanto, para 83% dos doentes os médicos foram a principal fonte de informações.
 

 

No entanto, os médicos foram mais ambíguos sobre a confiança das informações obtidas por outros meios pelos seus pacientes: 60% dos médicos consideraram que essas informações eram precisas «às vezes» enquanto que quase um quarto dos médicos consideraram que essas informações «raramente» tinham precisão científica.
 

 

Além disso, 90% dos oncologistas acreditam que é difícil para os doentes aplicarem correctamente as informações que eles liam à sua própria condição clínica. A procura de informação «extra» é apoiada por 38% dos médicos enquanto que 45% dos médicos mostraram uma posição «neutra» e 16% afirmam sentir-se «um pouco irritados» com esse facto.
 

 

A relação médico-paciente corre riscos?
 

 

Uma análise global dos resultados permitiu verificar que 63% dos pacientes e 86% dos médicos não sentem que a procura de informações externas produza um impacto negativo na relação profissional médico/paciente.
 

 

Para Siu foi gratificante verificar que o relacionamento entre os médicos e os seus pacientes não está em risco. «Nem os médicos nem os pacientes sentem que a recolha de informações exteriores é um obstáculo à relação», afirmou.
 

 

No caso particular do cancro, são os próprios doentes que tomam a iniciativa e querem aprender mais sobre a sua própria doença. Até para tentar encontrar formas de «ajudar o seu médico». Por sua vez, os médicos têm consciência deste fenómeno de mediatização das informações de saúde mas não se sentem ameaçados por isso. Pelo contrário, os médicos sentem que isso «ajuda os doentes a lidarem melhor com a situação», afirma Siu.
 

 

Inclusivamente, os próprios médicos sentem que nem sempre conseguem responder a todas as perguntas colocadas pelos seus doentes e sabem que isso é uma necessidade que nem sempre é atendida da melhor forma. Por isso, Siu defende que os médicos precisam da cooperação dos outros meios de para garantir que as informações obtidas pelos doentes são fidedignas.
 

 

Relativamente a isso, a MNI garante a qualidade científica das informações que pode obter através do Guia Médico e da Revista MNI.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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